Edição SENSACIONAL: Banda Altermundi

Uma das bandas mais legais da atualidade é a Altermundi. Misturando letras inteligentes, com muito Rock’n’roll suingado, essa é a banda Altermundi. O vocalista e guitarrista Marcello Santoro concedeu uma entrevista SENSACIONAL, na qual contou detalhes desse trabalho, que ainda vai dar o que falar. Mezzo carioca Mezzo paulistana. Além de Marcello “Carioca” Santoro, a banda ainda conta com Pedro (Pepe) – bateria; João (Jão) – guitarra; Petti – baixo e Edu – percussão

Como e quando você começou a se interessar pelo mundo da música?
Desde criança instrumentos musicais sempre me fascinaram bastante. Meus pais e minha irmã gostam muito de música também, o que acabou moldando meu gosto bem cedo. Logo quis aprender a tocar, ganhei um violão e comecei a fazer aula, isso com uns 7, 8 anos. Nessa época eu já compunha algumas coisas, a princípio gostava bastante de rimar, então a maioria das minhas músicas eram raps. Quando conheci um ex-namorado da minha irmã, que é músico, descobri que queria seguir carreira, que a música é minha paixão. Eu tinha uns 12 anos, e desde então me dediquei a conhecer e aprender cada vez mais.
Como foram as tuas primeiras experiências como músico? formação de bandas, etc.
Eu e meus amigos sempre fomos fãs de Nação Zumbi, O Rappa e suas vertentes. Aos 15 anos formamos uma banda cover do Planet Hemp, chamada Mucha Ganja, onde eu era o vocalista.
Foi a minha primeira banda, fizemos pequenos shows, mas foi tudo muito na brincadeira. Acho que a primeira vez que me senti um músico foi aos 16 anos, quando fui chamado por uma ONG para tocar em um musical que eles estavam preparando.

Agora, a banda Altermundi está em São Paulo. Qual é a tua avaliação do mercado da música independente em SP?
Eu acho que estamos chegando em um momento bom para a música, não só em SP. O cenário independente está crescendo a cada dia e traz muitas alternativas para os músicos. A massa sempre foi conduzida por uma indústria e, infelizmente, com a música não é diferente. Isso muda a partir do momento que conseguimos controlar e ter autonomia para ouvirmos realmente o que gostamos e queremos. A facilidade de acesso à música hoje em dia, sem depender apenas de rádio e discos, permite com que as pessoas conheçam mais, julguem mais e escolham o que querem e o que não querem ouvir. Com isso, a cena musical em São Paulo acabou virando basicamente uma luta limpa de quem consegue se destacar mais, sem nenhum atalho ou empurrão. É arte e é justo. Ao mesmo tempo, é um acervo de material muito maior chegando a todo o momento e isso exige um trabalho de divulgação maior etc. Mas acredito que só desse jeito, a música que é verdadeira, que é sentida, lutada, sonhada, vai chegar onde merece.


O que conheces do Rock Paraense? Já pensaste em fazer um intercâmbio com as bandas do Norte, de um modo geral?
Não conheço muito do Rock paraense, mas gostaria de conhecer. Como eu disse, sempre fui muito fã de Nação Zumbi, Chico Science… nossa banda usa elementos do maracatu, samba, baião, entre outros. Temos vontade de fazer uma turnê pelo norte e nordeste para nos aprofundarmos na cultura e conhecermos melhor as sonoridades de cada região. O Brasil é o país da música!
Quais são os teus próximos projetos?
No momento a banda Altermundi é minha prioridade, é como um filho que você começa a ver os primeiros passos. No entanto, estou constantemente explorando a arte, o som, em todas as suas esferas e, claro, sempre querendo aprender coisas novas. Tenho alguns projetos em desenvolvimento, mas ainda não posso falar muita coisa sobre eles.
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U2 – Turnê 360 GRAUS – O Maior Espetáculo Musical de Todos os Tempos – EU FUI

Uma das situações mais impressionantes durante a turnê “360 Graus” do U2 é a devoção dos fãs da banda no mundo inteiro. Em São Paulo, já era possível conferir a grande quantidade de pessoas acampadas, aos arredores do estádio do Morumbi, ainda no início da semana que antecipava o primeiro show do dia 09 de abril. Já no sábado, a fila se tornava em momento de pura emoção. Era uma mistura de alegria, ansiedade, ganância dos cambistas e a tentativa de organização. Foi registrado um público de mais de 90 mil pessoas, só na primeira noite.

Os cambistas começaram a vender os ingressos, no início da manhã de sábado, por valores entre 600 a 1.000 reais. E fãs desesperados, que ainda não tinham ingresso, não mediam esforços e compravam. A cada hora a adrenalina ia subindo (principalmente, desse escriba aqui).

Sinceramente, nunca fui tão fã do U2, mas já tinha ficado bastante emocionado com relatos de amigos que já tinham ido nos shows. E como na minha adolescência fui um obcecado por informações sobre a História do Rock’n’Roll, acabei conhecendo a importância de uma banda como U2.

Então, logo a partir das 19h30, comecei a pesquisar os valores que os cambistas estavam cobrando, e quando mais se aproximava do início da banda de abertura (MUSE) mais o preço começava a desvalorizar. E posso dizer, que comprei o meu ingresso um pouco preocupado se era falso ou não. E fiz um bom negócio. Entrei no estádio do Morumbi, na terceira música do MUSE, e estava bem localizado. Aliás, banda esta, que fez uma apresentação emocionante, no decorrer da chuva que castigava os músicos. Um bom começo para o que estava por vir.

A estrutura dessa nova turnê do U2 é algo impressionante, o palco é cercado por verdadeiras “garras gigantes”, parecendo “patas de caranguejo” (como bom nordestino que sou, reparei nesse detalhe). O anúncio, que tudo iria ser gigantesco naquele momento, foi dado quando o relógio (“What time is it in the world?”) começou a ser destruído e a música de “Trem das Onze” (Adoniran Barbosa) começou a tocar nas P.As. (caixas de som direcionadas para o público). O nervosismo era um sentimento único, e apareceram Bono Vox, Adam Clayton, Larry Mullen Jr. e The Edge. E já mandaram o hit “Even Better than the Real Thing”.

A estrutura de imagens e som do palco favorecia a qualquer pessoa, que pudesse estar mal localizada (atrás do palco), pois o um telão mostrava imagens dos músicos da banda se movimentando. Além disso, eles demonstraram uma total conscientização para quem estava atrás, e se apresentavam em todos os cantos. Eu pude assistir o show num lugar, que me deixou completamente impressionado e emocionado. Sobretudo, porque estar no momento como esse, sozinho e longe de todos aqueles de quem se AMA, é mais complicado ainda. Mas tudo bem.

A homenagem às crianças assassinadas no massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo (RJ), foi especial, com os nomes de todas passando no telão, que tinha 360 graus. Depois de duas horas e meia de show, a banda mais importante do Rock Mundial (em todos os sentidos) saiu do palco ovacionada. Sinceramente, já fui para alguns shows e já tinha feito algumas seleções dos melhores que já tinha ido na vida (e, é claro que essa lista sempre muda). Mas esse espetáculo musical extrassensorial marcou a minha vida. Agora, eu entendo porque as pessoas, ao redor do mundo, saem emocionadas de um show do U2.