ROCK PARÁ EXTREMAMENTE ESPECIAL – DEFALLA – Entrevista com o guitarrista Carlo Daudt Castor

Carlo Castor Daudt é guitarrista de uma das bandas mais influentes de todos os tempos do Rock Nacional, DeFalla, direto do Rio Grande do Sul.

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TEXTOS DE CARLO CASTOR DAUDT SOBRE O ROCK GAÚCHO E NACIONAL

http://www.painelnoticias.com.br/blog/castor/post/1445/o_outro_lado_do_rock_nacional

http://www.painelnoticias.com.br/blog/castor/post/650/rock_gaucho_nos_anos_80

HISTÓRIA DA BANDA DEFALLA:

A partir de uma simples homenagem ao nome do compositor espanhol Manuel de Falla, surgia na década de 80 – mais precisamente em 1984 – a banda gaúcha DeFalla. Com influências de hard rock, punk rock, funk, rap, heavy metal e outras misturas mais, a banda ganhou espaço rapidamente no cenário musical. Considerada muito a frente de seu tempo, a DeFalla quebrou paradigmase abriu espaço a uma geração de músicos e bandas, como Pavilhão 9, Ultramen, Patu Fu e Planet Hemp.

A primeira formação do grupo DeFalla contava com Carlo Pianta, Edu K e Biba Meira, mas Pianta deixou o grupo pouco antes da gravação do primeiro disco, abrindo espaço para a entrada de Castor Daudt e Flu. O novo quarteto então foi responsável pela gravação dos dois primeiros discos do grupo – “Papaparty” (1987) e “It’s Fuckin’Borin’To Death” (1988) – lançados pelo selo PLUG (BMG-Ariola). Logo em 1987, o destaque musical que a banda alcançaria era evidente: em uma votação elaborada pelos 22 críticos da Revista Bizz (maior publicação em termos de música popular da época), a DeFalla conquistou o prêmio de Melhor LP Nacional e Melhor Grupo de 87.

 

FOTO: EGIS PORTO

A baterista Biba Meira ficou em 2º lugar na votação de melhor instrumentista e Edu K em 3º lugar como melhor vocalista do ano. No ano seguinte, a mesma votação da Revista Bizz indicou a banda – desta vez com o segundo álbum lançado – a vários prêmios, conquistando o 3º lugar como Melhor Grupo, 2º lugar como Melhor LP, 3º lugar como Melhor Show, 2º lugar como Melhor Vocalista, 3º lugar como Melhor Baterista (Biba Meira).

Em 1989, a banda lançou o terceiro álbum da carreira, gravado ao vivo “Screw You!”, já sem a baterista Biba Meira. Já em 1990, DeFalla gravou “We Give a Shit”. O quinto disco foi lançado em 1992, com o enorme nome “Kingzobullshitbackinfulleffect92”. A banda recebeu alguns prêmios pela Revista Bizz na época, como os de Melhor Grupo , Melhor Disco, Melhor Vocalista e Melhor Letrista (Edu K) , além da indicação na catergoria de Melhor Música Nacional (onde ficaram com o 3º lugar com o single “Caminha”).

Nesta mesma época, a banda gravou um novo clipe, “It’s Fuckin’ Borin’ to Death”, música que fazia parte do segundo álbum do grupo e que foi regravada no disco de 1992. O sucesso do álbum “Kingzobullshitbackinfulleffect92” também resultou na participação da banda no Hollywood Rock, em 1993, ao lado dos Engenheiros do Hawaii, Red Hot Chili Peppers, Alice in Chains e Nirvana.

Logo em seguida o vocalista Edu K deixou a banda, seguindo carreira solo. Na época foi substituído por Tonho Crocco, e o grupo apresentava um novo nome, “D.Fhala”. Em 1995 lançaram o disco “D.Fhala Top Hits”, e logo após encerraram as suas atividades. Edu K, em 1996, retomou os vocais e as atividades da banda. O grupo passou a apresentar um som bastante eletrônico, além dos músicos aderirem uma maquiagem pesada, transmitindo um visual bastante excêntrico, onde usavam vestimentas sado-masoquistas e lentes de contato brancas! Nesta época, acompanhavam Edu K os músicos 4nazzo, o baixista “Z” e a baterista Paula Nozzari.

Os próximos trabalhos definiriam-se por formações pouco sólidas, mudanças drásticas de estilo musical e estético, mas permitiram ao DeFalla participar do cenário funkeiro carioca, ao explorar o miami bass no disco “Miami Rock 2000”. Deste álbum surgiu a música “Popozuda Rock’n’ Roll”, hit que estourou nas rádios e programas de TV de todo o país.

Em 2002, a banda lançou ainda o álbum “Superstar”. Já em 2004, o DeFalla voltou ao palcos tocando primeiramente no Opinião (em Porto Alegre), num show comemorativo aos 20 anos de carreira do grupo. A turnê se estendeu ao Rio de Janeiro, tocando no Circo Voador, onde costumavam fazer muitos shows, passando por São Paulo, Florianópolis, Curitiba, entre outras cidades.

Em 2011, já com mais de 25 anos de banda, a DeFalla reuniu sua formação clássica do primeiro e segundo álbuns – Edu K, Castor Daudt, Flávio Santos (Flu) e Biba Meira – para fazerem um show histórico e único em Porto Alegre (2 sessões lotadas!), no Beco, no projeto Discografia Rock Gaúcho, onde tocaram na
íntegra o disco “Papaparty”, que lançou os sucessos “Ferida”, “Sobre Amanhã”, “Alguma Coisa” e o grande clássico “Não Me Mande Flores”.

A participação da DeFalla no projeto Discografia Rock Gaúcho foi o início de um “retorno” da banda aos palcos, embora ela nunca tenha acabado, mas desta vez retoma suas atividades com sua formação mais clássica, de grande sucesso.

Discografia:

Papaparty (1987)

It’s Fuckin’Borin’To Death (1988)

Screw You! (1989)

We Give a Shit (1990)

Kingzobullshitbackinfulleffect92 (1992)

D. Fhala – Top Hits (1995)

Miami Rock 2000 (2000)

Superstar (2002)

ENTREVISTA

Como foram as tuas primeiras experiências ouvindo discos de Rock’n’Roll, ou seja, quais foram os primeiros discos de Rock’n’Roll, que escutaste?

Muito novinho, tenho uma vaga lembrança de me equilibrar na frente da TV da sala, vendo a Rita Pavone cantar, mas mais correto seria dizer que p 1º disco de Rock que escutei foi o LP “HELP” dos Beatles. Fui ver o filme no cinema aos 6 anos de idade, mal sabia ler as legendas, e depois descobri que a irmã mais velha de um amiguinho meu tinha o disco. Nem preciso dizer que vivia na casa dele, atrás da irmã, incomodando e pedindo pra escutar o disco…coitada… Comprar, comprar mesmo eu comprei o LP “The Beatles Again” que era tipo uma coletânea dos Beatles, tinha “Twist And Shout”, “Please Please Me”, “Can’t Buy Me Love” e etc…

Em relação, a experiências com bandas, quais foram as primeiras?

Entrei numa banda em POA chamada “Caminhão Honesto” tocando bateria com uns caras mais velhos (eu só tinha 15) em 1977. Participei de outras bandas, mas a primeira a gravar um disco foi a “Urubu-Rei” com a Biba e o Flu (pré-DeFalla) e mais o Carlos Eduardo Miranda (QST/SBT) em 1983. Gravei com “Atauhalpa e os Punks” e “Os Bonitos” e ainda toquei com o Flu no “Júlio Reny & Expresso Oriente”. Nestas bandas tocava bateria e as vezes guitarra, uma indecisão que me persegue até hoje…Finalmente, no final de 1986, fui convidado a entrar no DeFalla (onde entrei como guitarrista e depois virei baterista…)

Como foi criado o De Falla? E como era a cena roqueira do Rio Grande do Sul, na época?

O DeFalla foi criado pela Biba, o Edu K e o baixista Carlo Pianta (meu xará) lá por 1984/85. Gravaram a coletânea “Rock Grande do Sul” com outras bandas gaúchas e assinaram contrato com a BMG-Ariola. O baixista Carlo Pianta saiu da banda e entramos, eu e o Flu, para cumprirmos o contrato de gravação de 2 álbuns (Lps) inteiros. A cena roqueira no sul era muito rica, tinha de tudo. Todos os estilos, do “blues” ao “heavy metal”, passando pelo “fusion”, “punk” e “new wave”. Tocávamos em qualquer barzinho ou ginásio…até no centro da cidade com violão… era um “desespero” pra tocar… As Fms até começaram a tocar as fitas demos das bandas, principalmente a Ipanema FM e o clima era de “expectativa” pra ver quais as bandas gaúchas que conseguiriam entrar no mercado nacional. Por sorte, ou destino, nós pegamos carona nesta onda.

Quais foram as principais conquistas com o De Falla, que se tornou uma grande referência do Rock Nacional?

Basicamente, sempre fizemos músicas visando o futuro, por isso ainda soam “atuais” até hoje. Também acho que nós inovamos em algumas coisas: efeitos de samplers, scratchs, colagens, vinhetas, bases eletrônicas… Misturamos muitas influências e linguagens musicais de maneira competente e pioneira. Tivemos a fundamental ajuda do Reynaldo Barriga, produtor da BMG-Ariola na época dos 2 primeiros discos. Aprendemos MUITO com ele. Teve a questão de cantar em inglês (antes de todos) que é até questionada numa música “I Have To Sing a Song” do 2º disco de 1988 (Its Fuckin Borin To Death). Também fizemos questão de nos tornarmos “independentes” antes de todos, (uma coragem bem rara na época, anos 80) ao assinarmos com a “Cogumelo Records” de BH. Também fomos uma das únicas bandas brasileiras independentes, então, a abrir um importante festival internacional (Hollywood Rock 1993) tocando ao lado de bandas consagradas como “The Red Hot Chili Peppers”, “Nirvana” e “Alice In Chains”. Principalmente, acho que a nossa maior contribução ao “Rock Nacional’ foi (e é) um “chute na barraca”. Foi a nossa inquietação, o questionamento das “regras” existentes e mostrar que as coisas podem ser feitas de outro modo, o que inspirou toda uma nova geração de músicos e bandas nos anos 80, 90 e 2000.

O que fizeste, musicalmente falando, durante este intervalo que você ficou fora do De Falla?

Compus algumas músicas, gravei algumas, mas não lancei nada oficial. Montei uma banda-tributo aos BEATLES (é lógico), o meu primeiro “amor musical”, em Maceió e ela se tornou a maior e mais famosa banda-tributo aos BEATLES da região, a “The Beatles Again”. Ficou tão parecida com a original que acabou…

Como surgiu a ideia de retornar com a banda?

O nosso atual empresário, Leandro (Lelê) Bortholacci, (www.olelemusic.com.br) armou um projeto que reúne bandas gaúchas para tocar 1 álbum na íntegra, no nosso caso, o primeiro LP de 1987, Papaparty. A procura por ingressos foi tão grande que tivemos de fazer 2 sessões, na mesma noite, e depois choveram convites para tocarmos pelo país todo, inclusive no Porão do Rock, em Brasília, e no Festival Se Rasgum. Descobrimos que estávamos com saudade, uns dos outros, muito afim de tocar novamente e até fazer novas músicas.

A banda De Falla se apresentou no Festival Se Rasgum, em Belém, no ano passado. O que vocês acharam das bandas locais?

Muito interessantes, com muita personalidade e “pegada”. Eu, pessoalmente, gostei bastante do show da “Gang do Eletro”.

Quais são os teus principais projetos para o futuro? E quais são os próximos passos do De Falla?

Eu trabalho com “Motion Design” na TV Educativa de Alagoas, gosto do que faço, e ainda tenho esperança de poder “fazer uma diferença” no âmbito cultural e educativo em Alagoas, tão necessitado atualmente. Mas o Defalla está se movimentando, estamos com algumas músicas novas, finalizando uma “demo” e também esperançosos de conseguirmos gravar um novo álbum, antes do fim do mundo, né? Posso adiantar que temos músicas novas inacreditáveis, e mal posso esperar pra “botar a mão na massa” pra valer…Cheers!!

Entrevista Especial direto do Japão com Marcelo Shiozaki (ex-guitarrista da clássica banda DNA e agora tatuador)

Marcelo Shiozaki foi guitarrista de uma das mais importantes do Heavy Metal paraense, DNA (Diversion, Noise and Adrenaline). Agora, ele é um dos renomados tatuadores do Japão. Shiozaki conta vários momentos interessantes na carreira, nessa entrevista.

Quando começaste a se interessar por Rock’n’Roll?

Cara, tinha 13/14 anos, meu pai comprou um 3 em um, daqueles da Sony!! Comecei, acredite ou não, com “I love rock’n’roll”, da Joan Jett!! Fiquei vidrado nas distorções. Depois, acredite, Gary Gliitter!! Aí veio Creedence, Beatles e Rolling Stones. E depois, Deep Purple e Led Zeppelin. O Led foi sempre minha referência, meu álbum preferido?? Phisical Graffite, meu primeiro LP do Led!!

Como foram as primeiras experiências como músico de Rock’n’Roll e Heavy Metal? E quais foram os melhores momentos?

 

Cara, meu pai sempre me deu apoio pra tudo: estudos, música, etc!! O Carlos Ruffeil, do Jolly joker, me ensinou muito! Ganhei minha primeira guita, Les Paul Giannini, do meu pai. Comprei com o Carlos, dos Panteras, não sei se você conhece. Com certeza, os ensaios em casa, na granja do meu pai, foram os melhores momentos. Ninguém sabia tocar legal. Bebíamos muito e era mais pra encontrar e curtir o som. O único que tocava mais era o Carlos Ruffeil, mesmo!

 

Em relação ao DNA. Quais foram os momentos mais interessantes? Como começou a banda? E quais são os planos para a banda daqui para a frente?

Formamos o Genocide, com o lendário PP no baixo, Mauro batera, Eu e o Antônio Coelho nas guitars. O Antonio toca muito hoje (dá um olho no youtube). Depois veio o Mauro Gordo e o Alexandre Ribeiro. Muitas mudanças. Então, conhecemos o Fernando Souza Filho, da Rock Brigade. Ele teve a ideia de colocar o nome DNA, que seria Diversion, Noise and Adrenaline, ou ácido desoxirribonucleico, acho que é isso, eheh. Então, montamos essa banda com essa formação: PP no baixo, Eu na Guitarra, Fernando nos vocais e na época encontramos o Beto Doido, que foi do Placton. Gravamos nossa primeira demo com essa formação. Pintou alguns shows importantes, tipo, Dorsal Atlântica em Belém e Avalon e Megahetz no Piauí!! Com certeza, a viagem ao Piauí foi muito marcante! Muita diversão rolou!! Ah, teve a Flamea, que não esqueço até hojej. Teve um lance por lá, que encontrei uma garrafa de vodka no carro que estavámos. O Beto logo deu a ideia de secar!! Putz, era da Flamea!! Ficaram p da vida, mas, no fim, acabamos bebendo juntos!! Muito legal aquelas minas!!

Vocês já pensaram em voltar com a banda?

Como fala o Alexandre, nosso tempo passou. Acho que só revival e alguns shows. Mas, talvez, nada de composições novas. O Sid KC está bem ocupado agora. O Dey (baterista) não está em Belém. Quem pega as baquetas e o Mauro Gordo, que e o que mais incentiva pra voltarmos.

 

Você já passou um bom tempo no Japão. O que andaste fazendo? E quais são os planos daqui para frente?

Trabalhando muito!! Trabalho normal. Aprendi a tatuar e estudei muito essa arte por aqui! E daqui pra frente, só quero voltar ao Brasil, falar minha língua e curtir e desenvolver meu trabalho de tattoos por ai! Fiquei um ano ralando no estúdio e dividindo trabalho e estudos de tatuagem. Realmente me encontrei. Espero que no Brasil a tattoo seja tao valorizada quanto aqui.