Entrevista (mais do que) Especial: Fernando Rosa – Senhor F

Para alguns ele é um guru da música independente nacional, para outros um verdadeiro mentor do atual rock nacional; mas de uma coisa todas as pessoas têm razão, Fernando Rosa é extremamente respeitado em toda a cena da América Latina. Para quem ainda nunca ouviu falar dele, ele é o criador do Portal/Produtora Senhor F. Let’s rock it.

Bem, queria que me falasses inicialmente sobre a volta do site Senhor F. Quais são as novidades?

A revista Senhor F cumpriu, digamos, sua missão num primeiro momento o papel de resgatar a história do rock nacional e, ao mesmo tempo, de apoiar a nascente cena independente. Em terceiro plano, nesses primeiros anos, esteve a divulgação da música latinoamericana. Após 15 anos, de certa forma esgotamos essas frentes editoriais. Agora, então, avançamos para esse novo universo, pouco explorado pela mídia nacional, independente e mesmo grande mídia.  O que nos estimulou a dar esse passo foi o crescimento do festival El Mapa de Todos, que passou a ocupar o centro das atividades da produtora Senhor F. No final do ano passado, ganhamos um prêmio do MINC pelos trabalhos desenvolvidos pelo portal. Aproveitamos então o apoio financeiro e apostamos em um novo portal, voltado principalmente para o mundo latino. Em pouco mais de dois meses do novo portal, já conquistamos inúmeros leitores em diversos países latinos. Investimos em matérias especiais, em vídeos dos artistas, em resenhas de discos. Também criamos 4 rádios, via Soundcloud, com conteúdos diferenciados: música independente nacional, rock gaúcho moderno, música latino americana e, ainda, um programa de rádio – Senhor F Sem Fronteira, veiculado pela Rádio Câmara. O portal ainda integra no mesmo ambiente informações sobre o festival El Mapa de Todos, o evento mensal Noite Senhor F,que acontece em Porto Alegre, e uma área destinada para E-Books. Ainda no portal, tem link para a loja do selo Senhor F Discos.

Você acha que as redes sociais facilitaram este intercâmbio entre a produtora/site e as bandas latino-americanas? E a produtora Senhor F ainda lançará bandas independentes nacionais?

Sim, a internet foi e continua sendo fundamental para promover o intercâmbio. O mercado do disco físico era e ainda é dominado pelos Estados Unidos. Discos de música latina, exceto aqueles produzidos para o mercado latino nos EUA, não chegam ao Brasil. Então, o único caminho possível hoje é o da rede. Quanto ao selo, acabamos de lançar o disco da banda Bob Shut, de Caxias do Sul (RS), e ano passado havíamos lançado uma coletânea com o grupo argentino El Mato a Un Policia Motorizado. Nesse campo, as mudanças foram muito profundas, e travaram um pouco as iniciativas. Mas, não abandonamos a ideia do selo, ao contrário.

Você é um grande conhecedor da música independente nacional e latino-americana. Quais são os pontos em comum e as principais diferenças entre ambas?

É dificil definir isso, pois cada uma tem suas características particulares. Mas diria, nesse momento, que a música independente produzida em vários países latinos é superior em qualidade autoral. Não temos no Brasil um grupo com o El Mato a Un Policia Motorizado, nem cantores e compositores como Juan Cirerol, do México, por exemplo.

Quais serão os próximos projetos do Senhor F? E o que você poderia destacar da cena roqueira paraense atual?

Um festival regional, no Rio Grande do Sul, com foco em bandas e artistas independentes. Vamos retomar a ideia do SENHOR FESTIVAL, com dois dias de evento, em abril de 2014. Vamos anunciar o projeto na semana que vem e dar início ao processo de captação de apoio. Outro projeto, já pronto para ser executado, é um curso sobre a história do rock; na verdade, dois cursos, um sobre a origem e formação da linguagem musical e social do rock, e outros voltado para a história do rock brasileiro. Também estamos produzindo uma exposição com 150 Cds + 100 EPs independentes nacionais.

Olha, acompanho os artistas que já conhecia, seja em suas bandas ou em novos projetos. Nos últimos meses, por conta da mudança de foco do portal, concentrei mais atenção nas cenas latinas, o que dá um certo trabalho inicial. Mas, agora, estou retomando o foco para o Brasil. Mas, sinto uma certa fragilidade geral na produção atual.