O amor e a arte da destruição

Banda Destruidores de Tóquio, de Capanema, toca em Belém e lança décimo videoclipe com influência de Brian de Palma

Empreendedores e articulados, eles produzem os próprios festivais, festas, turnês, videoclipes e gravam seus próprios discos. De Capanema para o mundo, através da rede de computadores, estamos falando d’Os Destruidores de Tóquio. “A gente pratica o esquema faça você mesmo, de vez quando somando a ajudinha dos amigos”, diz Alex Lima, baixista e vocalista do grupo, que estará na próxima sexta-feira no projeto Fins de Tarde, da Livraria Saraiva, e, sábado, no projeto Ensaio Aberto do selo Na Music e Associação Pro Rock.

Com pouco dinheiro, irreverência e muita criatividade, o grupo já produziu nove videoclipes e sete discos, todos, exceto o último álbum (O Avesso do Avesso, Na Music, 2010), produzidos de forma caseira. A banda também já fez uma turnê pelo interior de São Paulo e tocou em estados como Tocantins e Rio de Janeiro, além de ter produzido cerca de 15 festivais em Capanema e pelo interior com do estado como os “Rock no Balde” e “Invasão Caipira”.

Eles começaram a chamar a atenção em 2004, quando um amigo apresentou um dos primeiros discos ao produtor Nicolau Amador, então guitarrista da banda Norman Bates. “Fiz o primeiro show deles em Belém em 2004. Chamou a atenção que apesar dos discos serem muito mal gravados havia um impulso criativo muito forte ali. Tentei produzir um disco deles depois, mas eles também são muito inflexíveis em relação a esse impulso criativo, o que os impede a meu ver, de ter maior visibilidade”, diz o produtor.

Mas foi justamente essa impulsividade de auto-afirmação que expôs a banda em um episodio marcante para a rede de bloggeiros e produtores de rock no Pará. Ano passado, quando foram convidados para um festival, os músicos, pelo fato de não receberem cachê, pediram para tocar em uma posição privilegiada da programação. Na resposta dos produtores, havia uma brincadeira desdenhosa dizendo que eles deveriam se contentar em tocar na abertura da programação. Na mesma seqüência de mensagens, o coletivo que produzia o evento “desconvidava” o grupo.

Logo os @destruidores começaram a disparar tweets para os principais produtores de música independente do estado e do país, denunciando a arbitrariedade do coletivo. A repercussão fez os organizadores voltarem atrás da decisão e negociar uma posição melhor para o grupo.

Tanta produção e articulação, porém, nunca fez o grupo pensar em virar um coletivo ou se associar a qualquer um deles. Ao contrário eles transitam com uma boa imagem hoje em todos os seguimentos da música independente local. O motivo é simples, segundo Nazo Glins. “A gente nunca quis ser um coletivo porque assim a gente dá mais visibilidade pro nome da banda dessa forma”, comentou ele, em entrevista ao blog da Pro Rock.

Assim, com coragem e criatividade, os DDT estréiam no próximo sábado o décimo videoclipe. Nazo, produtor, diretor e editor de todos os clipes da banda, começou a mexer com vídeo em 2006 e aprendeu fazendo. “Comprei um editor de imagens, o software Vegas e baixei os tutoriais da internet. Meus primeiros vídeos eram só com fotos e câmeras de celular. Eu não sabia mexer muito, nem sabia renderizar os vídeos”, conta.

“Love”, uma das poucas músicas em inglês da banda, fala de um amor puro e honesto que o faz “sentir que está andando nas nuvens”, bem ao contrário do humor negro de “Hipocondria” e outras músicas do grupo. “Na verdade é uma bobagem romântica que eu escrevi quando tinha 16 anos. Tem alguns erros, mas decidi deixar assim mesmo”, diz Nazo, que também se diz influenciado pela música romântica cafona. Não o tecnobrega, mas o brega romântico dos anos 80.

As influências kitsh se misturam com a cultura pop mais sofisticada. “Love” tem a edição de telas divididas como nos filmes de Brian de Palma. “Meu primeiro contato com ele foi com o filme ‘Dublê de Corpo’. Eu pirei. Era bem garoto quando vi o filme, e isso influenciou muito na minha maneira de fazer arte”, conta o diretor.

Na sexta-feira, O DDT se apresenta em um pocket show acústico produzido pelo Coletivo Megafônica na Livraria Saraiva (Shopping Doca Boulevard, 2º piso). No sábado, às 16h se apresentam na loja Ná Figueredo com a banda Sincera. Desde as 15h, haverá apresentações de videoclipes inclusive a estréia de Love. O Ensaio Aberto é uma parceria com a Pro Rock.

Serviço:

Destruidores de Tóquio – Acústico

Sexta-feira, 24 – às 18h na sala Benedito Nunes da Livraria Saraiva (Shopping Boulevard)

Sábado, 25 – Ensaio Aberto com Destruidores de Tóquio e Sincera