Entrevista Especial: Zé Lucas – A Red Nightmare

A banda A Red Nightmare representa um dos grandes expoentes da cena de metal do Pará. E para falar sobre essa realidade, quem falou conosco foi o vocalista Zé Lucas. Confira tudo agora. Além dele, a banda é formada por: Patrick (guitarra), Igor (guitarra), Denys (baixo) e Luciano (bateria).

Myspace

Twitter: @Arednightmare

Facebook: A Red Nightmare

E-mail: [email protected]

Como surgiu a banda A Red Nightmare?

A banda já tinha algum tempinho em estúdio passou por vários ajustes de formação e antes tinha outro nome, eu fui o último a entrar na banda, em setembro ou outubro do ano passado, pouco mais de um mês antes do primeiro show da banda, no Ensaio Aberto Ná Figueredo, em novembro. Aí que a formação estabilizou, composições amadureceram e fixamos o nome “A Red Nightmare”. A história da origem da banda em si é meio sem graça mesmo… Nossa história é montada em cima de esforço, dedicação e suor. Nada de grandes talentos ou ideias genias vindo do nada, tudo o que fazemos é fruto de MUITO trabalho, dedicação e amor pelo o que fazemos.

Em relação as composições, quando músicas já estão prontas? Como ocorre esse processo? E qual é a perspectiva para o lançamento do primeiro CD da banda?

Até o momento, temos seis músicas “prontas”, uma em composição e  mais umas duas engatilhadas. O processo de composição é trabalhoso. Não porque seja dificíl, mas porque somos muito perfeccionistas e gostamos de passar horas ajustando os mínimos detalhes das músicas, por isso as aspas na frase anterior: nós vivemos mudando e melhorando as músicas sempre que podemos, até estarmos satisfeitos. Mas no geral compomos com trabalho árduo mesmo. Não gostamos de nos limitar à estilos ou gêneros na hora de compor. Nós seguimos a música. Ela que manda no processo de composição. As coisas vão fluindo e nós só vamos ajustando de acordo com nosso gosto e ideias. Temos sorte de ter uma formação com influências bem variadas, mas que funciona muito bem junta.

Sobre CD, aí não sabemos dizer ainda. No momento estamos compondo e se consolidando. Com o tempo, e quando tivermos músicas o suficiente, faremos o disco. Mas ainda deve vir um single ou Ep qualquer dia desses.

Como foi a experiência de ter realizado a edição paraense das Seletivas do Wacken? Como foi ter participado? O evento ainda contou com a participação do jornalista Airton Diniz, da Roadie Crew, qual foi a impressão dele sobre a cena de metal pesado daqui?

Ter realizado o Wacken foi sensacional. Sou fã de metal há anos e me criei aqui, ouvindo as bandas locais. E sempre fiquei insatisfeito na visão que as pessoas tem e com a falta de atitude que muitas de várias pessoas da cena do metal paraense. Quis fazer a minha parte pra dar um empurrão de profissionalismo e reconhecimento que acredito que a cena está precisando. Temos grandes exemplos locais, Anubis, Disgrace and Terror (que vai fazer uma turnê na Europa esses tempos), Madame Saatan (que está me deixando louco de ansiedade com esse disco vindouro), Stress… Mas precisamos de MAIS.

O cenário local é muito rico e muito produtivo, mas carece de profissionalismo e de vontade de crescer, de expandir seu nome e reconhecimento. As bandas e produtores me parecem muito acomodados às vezes, a galera precisa se espertar se quiser conseguir algo que realmente valha a pena a longo prazo.

Ter participado da seletiva também foi incrível. Dividi palco com bandas, que assisti antes de ter uma banda. Necroskinner, Warpath e All Still Burns foram bandas que vi quando comecei a frequentar shows de metal e que instilaram minha paixão pelo gênero. Sei que os caras da Hellride pensam assim também, porque os conheço bem (e estou produzindo um EP deles que deve ser lançado em breve) e eles são novatos na cena, como nós.

Por fim, foi uma grande honra receber o Airton Diniz em Belém. É uma pessoa extraordinária, super gente boa e nos deu montes de incentivo e ajuda para operacionalizar o evento. Ele já conhecia alguma coisa da cena de Belém, e já tinha ouvido falar de algumas bandas. Saiu daqui muito satisfeito e com promessas de voltar. Nem que seja só pra passar férias.

Quais são e serão os planos futuros da banda daqui para frente?

No momento, compor. Temos dois shows em vista. Um agora no dia 22 de junho, no bar Scorpions, que é para ajudar a arrecadar grana para a ida da Warpath para a final nacional do Wacken Metal Battle. E outro que será divulgado em breve. Depois disso, vamos passar o mês de julho incubados compondo, pra voltar em agosto com material novo e brutalidade renovada! Mais adiante do que isso não tem nada certo ainda.

Ainda estamos no começo de carreira e temos muitos planos. Mas não temos pressa, pra não nos atropelarmos. E fazer tudo direitinho como gostamos de fazer.

Como você analisa o mercado independente da música paraense? E como ocorre o companheirismo entre as bandas de metal do Estado?

O mercado independente no Pará vem crescendo incrivelmente nos últimos anos, mas ainda tem um longo caminho pela frente para ter o reconhecimento que, de fato merece, pelo resto do País. Isso se estende, de alguma forma às bandas de metal locais, ainda que tardiamente.

Mas o companheirismo é constante.

Somos todos companheiros e irmãos de guerra no Underground Paraense. Lutando juntos por espaço e pela música que amamos.