Fatalmente "Octoplugs

Fonte: http://destruidores-de-toquio.blogspot.com/2011/07/fatalmente-octoplugs.html

A banda Octoplugs da cidade de Peixe-Boi composta por Bárbara Lobato nos vocais, Flávio Rodrigues na guitarra, Leon Silva na bateria e Eder Lima no baixo, acabou de lançar seu mais novo EP Demo intitulado “Fatalmente”, Octoplugs é a primeira banda de Rock do município, Flávio (guitarrista da banda) nos falou um pouco sobre como é ter uma banda de Rock em um município com pouco mais de 7.000 habitantes e as expectativas pra este novo trabalho, confira:

-QUANDO E COMO COMEÇOU A BANDA?

A banda com esse nome e totalmente autoral começou exatamente quando acabou a banda Curto Circuito, em 2008. Até antão éramos uma banda de “cover”. Já tínhamos muitas musicas prontas, mas tínhamos que tocar apenas uma ou duas em nossos shows, foi ai que nasceu a necessidade de ter um show com músicas próprias e de mudar o nome, pois existia muitas bandas que se chamavam Curto Circuito.

– VOCÊS ENFRENTAM  ALGUMA DIFICULDADE PELO FATO DE SEREM UMA BANDA DE UM MUNICIPIO PEQUENO NO INTERIOR DO PARÁ?

Sim, Peixe-Boi, como a maioria das cidades do interior não favorece uma manifestação artística específica. Afinal, quem é que vai querer saber se em Peixe-Boi existe uma banda de Rock? Em certos momentos é preciso criar uma cena às três porradas pra que alguém note que algo acontece por aqui. Felizmente já existe um público aqui, muito pequeno, mas é melhor do que aquele bêbado que só tá ouvindo a gente porque não lembra o caminho de casa…rsrsrsrsr

– QUAL A ORIGEM E O QUE QUER DIZER O NOME “OCTOPLUGS”?

Bom, inicialmente a idéia era batizar de Octopus, uma singela homenagem ao Doutor Octopus, o inimigo clássico do Homem-Aranha…mas como se tratava de uma banda, resolvemos substituir o “pus” por “plugs”, e ficou assim, Octoplugs (oito plugs).

– QUAIS SUAS PRINCIPAIS APRESENTAÇÕES E AÇÕES?

Já tocamos algumas vezes no Ensaio Aberto, participamos de vários shows do Projeto Invasão Caipira, evento idealizado pela galera dos Destruidores de Tóquio, já estivemos nas seletivas do Se Rasgum (mas não passamos…rsrsrs). Aqui em Peixe-Boi organizamos o “Rock’no’Balde”, integrando bandas do interior e da capital, ajudamos na organização do Projeto Invasão Caipira Peixe-Boi e estamos tentando resgatar músicas do Compositor Piexeboiense Orlando do Carimbó com o Projeto Baladas de Carimbó, mas por enquanto é só o que dá pra dizer.

– FALE UM POUCO DE SUAS INPRESSÕES PESSOAIS  A RESPEITO DO EP COMO UM PRODUTO ARTISTICO.

Gostei de ter feito esse EP, porque resgata músicas esquecidas da Banda quando ainda se chamava Curto Circuito… Morte súbita foi pra primeira música composta, em meados de 2004, apenas fatalmente foi composta recentemente. Com essa nova formação estamos tentando encontrar nossa forma de compor e arranjar as músicas, mas para isso foi preciso exorcizar os demônios do passado, por isso optamos por gravar músicas engavetadas. No final o resultado foi satisfatório pra gente.

– COMO SE DEU O PROCESSO DE CRIAÇÃO E GRAVAÇÃO DO DISCO (CAPA, ARRANJOS, INSTRUMENTOS….)?

As músicas forma lapidadas nos shows mesmo… A Barbara conseguiu encontrar o seu jeito de interpretá-las, com saída o Albenízio, que fazia guitarra base, optamos por “sujar” um pouco as músicas, com distorções apresentáveis, para isso foi importante ajuda do nosso amigo Nazareno Glins (Destruidores de Tóquio) que nos foi apresentando as possibilidades. A capa do disco eu desenhei. Pensei em ser um rosto feminino em preto e branco, apenas os lábios em vermelho… de certa forma denota uma provocação…Você tem coragem de se arriscar sem medir as conseqüências? O titulo do disco Fatalmente é uma música que está escondida na quinta faixa e fala dessa provocação: “Fatalmente tudo vai se acabar…”
– O QUE MUDOU NA BANDA COM A SAIDA DO ALBENIZIO E A ENTRADA DA BARBARA. A SAIDA DO ALBENIZIO SE DEU NA PAZ? VC SE IMPORTARIA EM FALAR UM POUCO DESTE EPISÓDIO?
A mudança drástica foi a saída de uma voz masculina para a entrada de uma voz feminina. A Bárbara conseguiu dar sua cara às musicas e isso foi legal, ela também compõe o que ajuda no processo de criação da banda. O Albenizío já não tinha mais tempo pra banda, trabalhando fora com visitas esporádicas ele teve que sair, mas continua sendo um grande amigo meu e da banda, sua saída foi tranqüila, claro que no primeiro momento fica aquela pergunta: “- Estamos sem vocalista, o que vai ser daqui pra frente?” Mas a bárbara conseguiu substituir a altura.

– QUAIS OS PRÓXIMOS PASSOS DA “OCTOPLUGS”?

Já estamos com próximo EP no ponto para gravar…retomamos os ensaios e vamos tocar em mais um Invasão Caipira, que acontecerá aqui em Peixe-Boi…a idéia por enquanto é sair por ai tocando se divertindo, como sempre foi.
Clique na foto para baixar o EP:
Capa do EP

 

Entrevista Especial: Zé Lucas – A Red Nightmare

A banda A Red Nightmare representa um dos grandes expoentes da cena de metal do Pará. E para falar sobre essa realidade, quem falou conosco foi o vocalista Zé Lucas. Confira tudo agora. Além dele, a banda é formada por: Patrick (guitarra), Igor (guitarra), Denys (baixo) e Luciano (bateria).

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Como surgiu a banda A Red Nightmare?

A banda já tinha algum tempinho em estúdio passou por vários ajustes de formação e antes tinha outro nome, eu fui o último a entrar na banda, em setembro ou outubro do ano passado, pouco mais de um mês antes do primeiro show da banda, no Ensaio Aberto Ná Figueredo, em novembro. Aí que a formação estabilizou, composições amadureceram e fixamos o nome “A Red Nightmare”. A história da origem da banda em si é meio sem graça mesmo… Nossa história é montada em cima de esforço, dedicação e suor. Nada de grandes talentos ou ideias genias vindo do nada, tudo o que fazemos é fruto de MUITO trabalho, dedicação e amor pelo o que fazemos.

Em relação as composições, quando músicas já estão prontas? Como ocorre esse processo? E qual é a perspectiva para o lançamento do primeiro CD da banda?

Até o momento, temos seis músicas “prontas”, uma em composição e  mais umas duas engatilhadas. O processo de composição é trabalhoso. Não porque seja dificíl, mas porque somos muito perfeccionistas e gostamos de passar horas ajustando os mínimos detalhes das músicas, por isso as aspas na frase anterior: nós vivemos mudando e melhorando as músicas sempre que podemos, até estarmos satisfeitos. Mas no geral compomos com trabalho árduo mesmo. Não gostamos de nos limitar à estilos ou gêneros na hora de compor. Nós seguimos a música. Ela que manda no processo de composição. As coisas vão fluindo e nós só vamos ajustando de acordo com nosso gosto e ideias. Temos sorte de ter uma formação com influências bem variadas, mas que funciona muito bem junta.

Sobre CD, aí não sabemos dizer ainda. No momento estamos compondo e se consolidando. Com o tempo, e quando tivermos músicas o suficiente, faremos o disco. Mas ainda deve vir um single ou Ep qualquer dia desses.

Como foi a experiência de ter realizado a edição paraense das Seletivas do Wacken? Como foi ter participado? O evento ainda contou com a participação do jornalista Airton Diniz, da Roadie Crew, qual foi a impressão dele sobre a cena de metal pesado daqui?

Ter realizado o Wacken foi sensacional. Sou fã de metal há anos e me criei aqui, ouvindo as bandas locais. E sempre fiquei insatisfeito na visão que as pessoas tem e com a falta de atitude que muitas de várias pessoas da cena do metal paraense. Quis fazer a minha parte pra dar um empurrão de profissionalismo e reconhecimento que acredito que a cena está precisando. Temos grandes exemplos locais, Anubis, Disgrace and Terror (que vai fazer uma turnê na Europa esses tempos), Madame Saatan (que está me deixando louco de ansiedade com esse disco vindouro), Stress… Mas precisamos de MAIS.

O cenário local é muito rico e muito produtivo, mas carece de profissionalismo e de vontade de crescer, de expandir seu nome e reconhecimento. As bandas e produtores me parecem muito acomodados às vezes, a galera precisa se espertar se quiser conseguir algo que realmente valha a pena a longo prazo.

Ter participado da seletiva também foi incrível. Dividi palco com bandas, que assisti antes de ter uma banda. Necroskinner, Warpath e All Still Burns foram bandas que vi quando comecei a frequentar shows de metal e que instilaram minha paixão pelo gênero. Sei que os caras da Hellride pensam assim também, porque os conheço bem (e estou produzindo um EP deles que deve ser lançado em breve) e eles são novatos na cena, como nós.

Por fim, foi uma grande honra receber o Airton Diniz em Belém. É uma pessoa extraordinária, super gente boa e nos deu montes de incentivo e ajuda para operacionalizar o evento. Ele já conhecia alguma coisa da cena de Belém, e já tinha ouvido falar de algumas bandas. Saiu daqui muito satisfeito e com promessas de voltar. Nem que seja só pra passar férias.

Quais são e serão os planos futuros da banda daqui para frente?

No momento, compor. Temos dois shows em vista. Um agora no dia 22 de junho, no bar Scorpions, que é para ajudar a arrecadar grana para a ida da Warpath para a final nacional do Wacken Metal Battle. E outro que será divulgado em breve. Depois disso, vamos passar o mês de julho incubados compondo, pra voltar em agosto com material novo e brutalidade renovada! Mais adiante do que isso não tem nada certo ainda.

Ainda estamos no começo de carreira e temos muitos planos. Mas não temos pressa, pra não nos atropelarmos. E fazer tudo direitinho como gostamos de fazer.

Como você analisa o mercado independente da música paraense? E como ocorre o companheirismo entre as bandas de metal do Estado?

O mercado independente no Pará vem crescendo incrivelmente nos últimos anos, mas ainda tem um longo caminho pela frente para ter o reconhecimento que, de fato merece, pelo resto do País. Isso se estende, de alguma forma às bandas de metal locais, ainda que tardiamente.

Mas o companheirismo é constante.

Somos todos companheiros e irmãos de guerra no Underground Paraense. Lutando juntos por espaço e pela música que amamos.

Entrevista Especial – Renata Brant – Programa "Na Veia"

Renata Brant é jornalista carioca e apresenta um dos programas de webradio mais legais da internet, “Na Veia” (http://www.naveiaprograma.blogspot.com/). É possível se manter extremamente muito bem informado. Saiba mais nessa entrevista especial e exclusiva.

Como e quando você começou a escutar e a se interessar pelo Rock’n’Roll?
Bem difícil responder, mas pode até parecer clichê, mas comecei a escutar rock desde pequena. Cresci ao som de Beatles, Cazuza, Rolling Stones, Queen, Titãs, Rita Lee. Claro que com o tempo, a gente vai filtrando o que gosta e o que não gosta, inclusive descobrindo novas bandas e novos gostos.
Meu interesse pelo rock sempre existiu, já tentei tocar violão, para depois tocar guitarra, mas eu não tenho ritmo nenhum, nem mesmo paciência para fazer os acordes mirabolantes. Por causa disso, acabei desistindo de tocar um instrumento e acabei escrevendo sobre música.
Quais foram os teus primeiros trabalhos no mundo do jornalismo ligado ao Rock?
Meu primeiro trabalho ligado ao rock foi no Mercado Mistureba. Eu fazia a locução do evento e lá comecei a conhecer a cena rock do Rio. Na época, no ano de 2006, conheci muitas bandas que hoje nem existem mais. Uma delas era a Benflos, que aliás é uma excelente banda.
Depois disso, me apaixonei pela locução e pelo rádio. E na época da faculdade, sempre fazia algo ligado a música.
Como surgiu a ideia de criar o programa Na Veia? E quais foram os melhores momentos?
O Programa Na Veia surgiu depois de um curso de locução que fiz em 2008. A escola, onde estudava, tinha uma web radio e lá comecei a apresentar o Na Veia ao vivo. Fiquei noves meses ao vivo, com cerca de 60 pessoas me ouvindo. Era uma loucura. Fazia tudo ao mesmo tempo, locução, set list, entrevista, mesa de áudio. Mas era muito legal e aprendi muito também.
Agora o melhor momento, confesso que foram vários. Mas gostei muito da entrevista que gravei com a banda Cabeza de Panda, que sou fã. Na época, o trio estava começando e hoje eles já vão gravar o segundo disco. Outro momento bacana, foi com a banda Maldita e com a banda Os Pazuzus, que alías foi a primeira entrevista do programa. Fiz uma enquete no blog, para escolher quatro bandas e Os Pazuzus ganharam. A entrevista foi muito divertida. Pena que a banda acabou.
Como você analisa o mercado da música e do Rock Independente Nacional?
Engraçado que esta é uma pergunta que faço sempre às bandas. E a resposta é sempre a mesma. Que só sobrevive no mercado a banda que tem dinheiro ou que tem um empresário. Mas sabemos que não é bem por ai. Podemos ver muitos artistas que gravam seus discos no independente, acho que a Cidadão Instigado é um exemplo disso. A banda existe há quase dez anos, sempre foi independente e tem um trabalho super conceituado. Outro exemplo é o Black Drawing Chalcks. Os meninos visam a banda como uma empresa, cada um tem uma função. Um fica responsável pela divulgação, outro pela internet, outro pela administração e por ai vai.
Outra coisa bacana que acontece muito são os coletivos. Bandas que se juntam e promovem seus próprios festivais. Aqui no Rio, por exemplo, rola a festa Roqueadores, idealizada pela banda Os Duques. É evento que própria banda organiza e chama outras bandas para tocar. Só para se ter uma ideia, na última edição rolou show da banda Jeniffer Lofy. Claro que para se destacar no mercado, a banda deve ter um diferencial. A música está segmentada e a maneira de consumir também mudou. Antes a gente juntava grana para comprar um disco. Hoje não. Você baixa tudo da internet. Em contra partida, acaba surgindo muita coisa ruim. Acredito que a banda que produz seu próprio evento, tendo a ideia de fazer um intercâmbio, já ganha um ponto a mais no mercado. E claro, os trabalho dos coletivos também é importante para movimentar a cena de qualquer cidade.
O que você destacaria do Rock do Rio de Janeiro?
Prefiro não responder quanto ao rock, até porque o Rio não é uma cidade rock. Aqui temos artistas dos mais diversos genêros. Mas gosto muito do trabalho da Silvia Machete. Já tive a oportunidade de entrevista-lá e foi super divertido. Aliás, ela tem uma vybe mega pra cima. Também tem os meninos da banda Les Pops, que é a nova sensação carioca. Também não posso deixar de citar a Velha Guarda da Portela e a cantora Teresa Cristina, que sou muito fã. Ahh, tem ainda a banda Fleeting Circus e a cantora e guitarrista Drenna.
Em relação a galera que movimenta a cena carioca, tem o Renato Abdalla, Jô Rocha, Pity Portugal e o pessoal do Coletivamente. Em Niterói, tem a Ponte Plural e o Pedro de Luna.
O que você conhece do Rock Paraense?
Tenho que confessar que conheço muito pouco. Mas gosto muito do som da Madame Saatan, alías eu quero muito ver um show da banda!! Mas daí do Pará, gosto de ouvir o tecnobrega. Adoro a batida, a maneira que se dançam, como se vestem. É um comportamento, faz parte da cultura de vocês. Assim como o funk está para o Rio de Janeiro.
Quais são os teus próximos projetos?
Meu próximo projeto é o agora. Tenho uma empresa de assessoria de imprensa e estou naquele momento de capitar clientes. Portanto, você que tem banda ou é artista solo, seja qual for a sua música, pode falar comigo. E claro, ouçam o Programa Na Veia!

Conheçam Maglore – Uma das grandes revelações do Rock Independente Baiano

http://www.facebook.com/maglorebanda#!/
Twitter: @maglore
Melody Box: 
http://melodybox.com.br/maglore
Toque no Brasil: 
http://maglore.tnb.art.br/
Banda Maglore
(71) 9272-9777 | (71) 8167-2710
www.maglore.com.br
www.twitter.com/maglore
www.palcomp3.com.br/maglore
www.myspace.com/maglorebanda


 

Uma das bandas mais interessantes do novo rock independente baiano é a Maglore. Conheça mais sobre ela nessa entrevista com o guitarrista Léo Brandão

Como surgiu a banda? Por que o nome Maglore? E as experiências musicais de cada um, antes desse encontro na banda?

A banda surgiu (pra mim!) numa mesa de bar em dezembro de 2008 (no aniversário de uma amiga em comum) onde conheci Teago (vocalista e guitarrista) que me falou do projeto. Ele já tinha conversado com Igor (baterista e amigo de infância – apesar de nunca terem tocados juntos) e o convidado. Eram basicamente algumas músicas rejeitadas pela outra banda da qual ele fazia parte e que estava parada, sem fazer shows. Nos afinamos  e a banda foi formada. O baixista no início era o amigo Lucas Azevedo, que hoje é “multifunções”: fotógrafo/iluminador/ produtor de palco e executivo, depois foi substituido por Nery Leal (outro amigo de infância) e ficou essa formação de hoje. Apesar d’ eu também já ter saído e voltado para a banda. rsrs.

O nome Maglore na verdade é anterior a formação. Eu lembro de Teago ter me passado o arquivo em mp3 de duas gravações caseiras bem toscas: “A Sete Chaves” e “Amaria Sonhos Coloridos” (músicas que compõem o disco Veroz (2011)) onde já constava o nome. Ele tinha dito na ocasião que havia sonhado e que não tinha significado. Ao que todos concordaram, ficou esse mesmo.

Todos nós já havíamos tocados em outras bandas antes do encontro. Igor, quando a banda começou, tocava bateria em 8 bandas diferentes, se bem me lembro. rs. Eu toquei no Ópera Pingüim, Teago na Radionave, Nery na Truanescos, e por aí vai…

O que você destacaria da cena independente da Bahia?

Da cena independente eu destacaria a união que está surgindo entre as bandas não só de Salvador quanto do interior do Bahia: cidades como Vitória da Conquista, no sul, e Feira de Santana, na região metropolitana, estão cada vez mais fazendo eventos independentes e proporcionando a circulação de bandas do estado e até de fora dele também, possibilitando assim, o encontro entre bandas de diferentes cidades. No caso da Maglore, conseguimos fazer uma turnê pelo nordeste em dezembro do ano passado com Os Barcos, uma banda de Vit. da Conquista e hoje, nossos amigos pessoais. A respeito da cena de Salvador são várias as bandas que vem se destacando, e há uma pluralidade de sons. Posso citar nomes como a Suinga, que traz uma espécie de revival do axé antigo, naquela linha dos Novos Baianos, Pepeu Gomes, Gerônimo e Luiz Caldas; Enio e a Maloca, uma black music cercada de elementos de música brasileira; Pirigulino Babilake; Quarteto de Cinco; Velotroz; Neologia; Lunata; Acord; Sertanília, que resgata a música nordestina, sertaneja mesmo, de verdade; Baiana System; tem também o rock da Fridha e da Autoreverso; Vivendo do Ócio, que mora em São Paulo mas que vez ou outra marca alguns shows na cidade, e o pessoal mais antigo na cena como o Cascadura e Ronei Jorge. Enfim, muita coisa rolando e cada uma com algo diferente a acrescentar. 

O que você conhece em relação as bandas independentes do Pará?

Para ser sincero, eu não me recordo de nenhuma banda do Pará que eu tenha escutado (ou pelo menos que eu saiba ser do Pará). Mas tenho até interesse. Se você tiver alguma pra indicar, eu agradeço. O que eu sei que rola no Pará é o Se Rasgum, que é um festival independente muito bem comentado, não é isso? 

Quais são os novos projetos musicais da banda?

Os projetos da banda são: continuar fazendo shows pelo Brasil (e fora dele também quando aparecer a oportunidade), tentando fazer o som chegar onde ainda não chegou, divulgar nosso disco “Veroz” e quem sabe começar a gravar um novo trabalho ainda este ano.

Entrevista Especial com o jornalista mais Rock'n'Roll do Brasil: Humberto Finatti

Para várias pessoas pessoas, formadoras de opinião ou não, o jornalista Humberto Finatti é gerador de polêmicas. Só que para outras, ele é um grande divulgador da cena independente do Brasil. O mais importante é que ele está aqui no Rock Pará, relatando um pouco de toda essa experiência acumulada. E o mais importante, ele estará em Belém, no dia 17 de junho, no Café com Arte, junto com a banda The Baudelaires, discotecando dentro de um evento da produtora Vandersexx. Ficou curioso? Conheça mais sobre as opiniões de Finatti no blog: http://www.zapnroll.com.br/ (O blog de Rock Alternativo e Cultura Pop mais legal da internet brasileira). Além de tudo isso, ele tem uma grande admiração em relação a cena musical independente de Belém: “Porra, eu acho realmente impressionante a cena musical daí, especificamente de Belém já que não conheço a de outras cidades do Estado. A diversidade de estilos dos grupos, a qualidade musical que todos eles possuem, é realmente algo que impressiona. Tem o metal do Madame Saatan, o reggae engajado do Juca Culatra, a psicodelia poética da La Orchestra Invisível, o power pop quase perfeito da Suzana Flag, o indie guitar apaixonante dos queridos Baudelaires, o emocore do Sincera.  Sou capaz de afirmar que todos esses nomes fazem um trabalho muuuuuito melhor do que aquele que vejo hoje em dia nas bandas do rock independente de São Paulo e de todo o Sudeste, com algumas honrosas exceções. E enfim, estou indo praí pra conhecer finalmente a cidade, né? Passei muitas vezes por Belém, a caminho de Macapá (onde fui cobrir algumas vezes o festival QuebraMar, e onde acabei namorando uma garota por quase dois anos, o que me fazia ir muitas vezes de São Paulo pra lá), mas nunca saí do aeroporto de vocês, rsrs. Então como me convidaram para cobrir um festival em Boa Vista no dia 11 de junho, resolvi esticar a viagem até aí. Conseguimos fechar uma festa do meu blog, o Zap’n’roll (hoje um dos mais acessados do Brasil na área de rock alternativo e cultura pop), no Café com Arte, e estaremos aí dia 17 de junho, pra discotecar na pista do Café, enquanto os Baudelaires tocam ao vivo. Aliás, pra mim, a banda do Andro Pinheiro é hoje um dos melhores grupos em atividade no Brasil.”


Como e quando começaste a se interessar pelo Rock’n’Roll?

Faz tempo… lá pelos onze, doze anos de idade, influência da irmã mais velha (e que hoje mora na Espanha), e dos primos também. Meus primeiros discos de vinil foram “The Dark Side Of The Moon” e “Wish You Were Here”, do Pink Floyd, “Sabbath Bloody Sabbath”, do Black Sabbath, “Relayer” do Yes e o primeiro do Secos & Molhados, rsrs. Eu adorava rock progressivo. Depois, quando fui “fisgado” pelo punk rock (lá por 1978, quando comprei o “Nevermind The Bollocks – Here’s The Sex Pistols”), nunca mais quis saber daquela punehtagem instrumental, rsrs. Passei a detestar prog rock, como detesto até hoje.

Como e quando começaste a escrever sobre música? E quais foram os teus melhores momentos?

Poutz, essa resposta daria um livro, rsrs. Meu pai era publicitário e minha mãe, artista plástica. Então eu sempre convivi em um ambiente muito cultural lá em casa. Me lembro que pegava a máquina de escrever do meu pai e ficava “catando milho”, e brincando de estar escrevendo uma reportagem para algum jornal, hehe. Isso quando eu tinha uns doze anos de idade. Eu também gostava de imitar locutores de rádio, que transmitiam jogos de futebol, veja só. Foi então, quando comecei a comprar os discos com a mesada que minha mãe me dava, que comecei realmente a querer escrever sobre música e tal. Comecei num jornalzinho do colégio em que eu estudava, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. Aí depois se passou um longo período: acabei o ensino médio, perdi a virgindade (aos 16, ahahaha), fumei meu primeiro baseado (também aos 16, hehe), fui tentar jornalismo e cinema na USP, mas nunca consegui entrar lá pra fazer nenhum  dos dois cursos, o vestibular da USP é realmente foda. Foi então que através de amigos comecei a escrever alguns textos pra uma revista minúscula, formato de bolso, e que se chamava Rock Star, isso em 1986. Eu tinha 22 anos de idade e foram meus primeiros textos pagos, que eu recebi algo por eles. Me lembro que fiz um perfil dos Smiths (que estavam estourando no mundo todo, inclusive no Brasil) e mais alguns textos que não me lembro mais quais eram. Nessa revista escrevia um sujeito chamado Leopoldo Rey, que também colaborava com uma revista chamada Somtrês, e que era dirigida pelo hoje famoso Maurício Kubrusly, que faz aquele quadro no Fantástico, o Me Leva Brasil. Através de contatos feitos pelo Leopoldo, também comecei a escrever para a Somtrês, onde colaborei por dois anos, de 1987 a 1989. E como a revista era publicada pela editora 3, de São Paulo, e que também publicava a semanal IstoÉ, também comecei a colaborar com a IstoÉ. De colaborador passei a repórter da editoria de cultura – onde fiquei por três anos – e aí decolei na profissão. Isso tudo sem ser formado em jornalismo! Acabei me graduando no curso de História e só depois fui fazer jornalismo, mas desencanei depois de seis semestres porque tudo o que eu estava vendo no curso eu já sabia na prática, trabalhando na redação da IstoÉ.

Longa resposta né? Ah, sim, melhores momentos: minhas entrevistas longas com Renato Russo na revista IstoÉ e Interview, e também para o caderno Folhateen, do jornal Folha De S. Paulo. Outra entrevista com os Titãs na revista Interview (onde também fiz ótimas entrevistas com o Skank, com Herbert Vianna, Lulu Santos e Lobão, sendo que com ele brigamos feio por causa do resultado final da entrevista nunca mais nos falamos por causa dessa entrevista, rsrs). Também tiveram as entrevistas internacionais, algumas ótimas com o Robert Smith (do Cure), o Black Francis (do Pixies), o baterista do Coldplay e os caras do Teenage Fanclub, que acabaram de tocar em São Paulo novamente. Ah, sim: mandei o John Lydon a puta que o pariu uma vez (quando ele veio ao Brasil pela primeira vez, em 1987, com o seu grupo Pil), e escutei Siouxsie Sioux confessando pro Kid Vinil (que estava do meu lado, entrevistando a perua gótica) que tinha “comido” o Robert Smith, ahahaha. Acho que esses foram momentos bem legais. Opa, mais um: o Robert Plant me dizendo, dentro de uma sala lotada de jornalistas, que eu tinha os olhos lindos, rsrss. Morri de vergonha, rsrsrs.

Qual é a tua opinião sobre o mercado independente nacional?

Outra resposta que daria um livro, rsrs. Acompanho a cena independente há uns quinze anos, pelo menos. Vi milhares de bandas e selos nascerem e desaparecerem. E minha grande descoberta jornalística foi o Vanguart, lá de Cuiabá, hoje um dos maiores nomes do novo rock brasileiro. É um mercado muito complexo e ativo, não resta dúvida. Mas há bandas demais e qualidade de menos, na minha opinião.

Porque hoje, com o advento da internet e a facilidade tecnológica, ficou muito fácil gravar um disco, né? Neguinho grava qualquer merda no seu quarto mesmo, com um computador e tal, posta na internet (no MySpace, YouTube etc) e já se sente um rockstar de primeira grandeza. E tudo isso é uma grande ilusão, né? Venho de um tempo em que não havia essas facilidades todas e a banda tinha que ralar muuuuito pra conseguir algo. Eu não sei de outros jornalistas, mas falo por mim: é um saco você receber trocentos emails com links todos os dias, e também mensagens no teu Facebook e Twitter, de cara pedindo pra você ouvir a banda dele. De vez em quando você é surpreendido com algo realmente bom (como fui surpreendido, dia desses, ao ouvir um trio chamado Single Parents, daqui de São Paulo).

Mas na maioria dos casos são bandas muito ruins e que ainda precisam de muito ensaio antes de se aventurar a mostrar seus trabalho em público. E infelizmente a molecada não tem esse insight, esse discernimento: eles acham que são foda e querem enfiar qualquer droga na sua goela, via internet. Eu, sinceramente, não tenho essa paciência toda. Porque se eu for ouvir todo dia tudo o que me mandam, eu não faço mais nada na vida. Bom, isso em relação às bandas. Em relação ao mercado em si, parece que ele está se sustentando bem hoje em dia, por conta própria e tal. Há espaço para shows e boa vontade até da grande mídia (como a de revistas como a Rolling Stone, na qual colaboro, e a Billboard) em abrir espaço para novos taolentos. Mas tem algo que me incomoda profundamente em alguns setores da atual cena independente nacional: ela fica mamando nas tetas do poder público e usar a música para fazer política, quando deveria ser o contrário: usar a política para fazer música, ou arte em geral. Isso acaba gerando conflito de interesses, surgimento de panelas e todos aqueles vícios que a cena independente sempre amaldiçoou no mainstram musical.

O que você destacaria da cena musical independente do Pará? E fale sobre a tua vinda para cá

Porra, eu acho realmente impressionante a cena musical daí, especificamente de Belém já que não conheço a de outras cidades do Estado. A diversidade de estilos dos grupos, a qualidade musical que todos eles possuem, é realmente algo que impressiona. Tem o metal do Madame Saatan, o reggae engajado do Juca Culatra, a psicodelia poética da La Orchestra Invisível, o power pop quase perfeito da Suzana Flag, o indie guitar apaixonante dos queridos Baudelaires, o emocore do Sincera…  Sou capaz de afirmar que todos esses nomes fazem um trabalho muuuuuito melhor do que aquele que vejo hoje em dia nas bandas do rock independente de São Paulo e de todo o Sudeste, com algumas honrosas exceções. E enfim, estou indo praí pra conhecer finalmente a cidade, né? Passei muitas vezes por Belém, a caminho de Macapá (onde fui cobrir algumas vezes o festival QuebraMar, e onde acabei namorando uma garota por quase dois anos, o que me fazia ir muitas vezes de São Paulo pra lá), mas nunca saí do aeroporto de vocês, rsrs. Então como me convidaram para cobrir um festival em Boa Vista no dia 11 de junho, resolvi esticar a viagem até aí. Conseguimos fechar uma festa do meu blog, o Zap’n’roll (hoje um dos mais acessados do Brasil na área de rock alternativo e cultura pop), no Café com Arte, e estaremos aí dia 17 de junho, pra discotecar na pista do Café, enquanto os Baudelaires tocam ao vivo. Aliás, pra mim, a banda do Andro Pinheiro é hoje um dos melhores grupos em atividade no Brasil.

Quais são os teus próximos projetos?

Ficar milionário com o jornalismo rock, ahahahaha. É brincs. Pretendo continuar fazendo o que gosto, sempre e melhor: o blog, cobrir festivais, descobrir bandas e continuar com minha atividade profissional também na grande mídia, como a revista Rolling Stone e o portal Terra.

Entrevista Especial com o produtor musical mais Rock'n'Roll de Belém: Ivan Jangoux

Ivan Jangoux (http://listn.to/IvanJangouxProducoes) é um grandes produtores da música paraense. Ele já foi guitarrista de várias bandas renomadas do rock paraense, entre elas a Stigma. Saiba o que pensa esse músico de alta estirpe nessa entrevista exclusiva e especial.

Como foram as tuas primeiras experiências como músico? E também quais foram os melhores momentos?

Antes de ser produtor, fui guitarrista do Nekrofilya antes de gravarem o CD deles, depois fui guitarrista do Stigma durante 8 anos e depois, do Meffista. Todos meus melhores momentos foram no Stigma: viajamos bastante, gravamos nosso CD fora, conhecemos muita gente. É difícil apontar alguns poucos momentos, pois foi pelo Stigma que eu e minha esposa nos conhecemos e nos aproximamos, foi lá que aprendi muita coisa que sei de música e produção e foi lá que dediquei boa parte do fim da minha adolescência e início da vida adulta. Mas um momento que nunca vou esquecer é quando o público puxou a saia da minha esposa em Barcarena, tentando agarrar ela no fim da última música do show. Tive que agir de forma meio violenta com o grupinho, dando uma voadora, e depois ainda recebi um pedido de desculpas das pessoas que fizeram isso. Tem também o açaí que ganhamos de graça num restaurante quando fomos a SP gravar o CD, por sermos paraenses. E tem o lançamento da nossa primeira demo: compramos 200 sacos de pipocas pantera e demos um pra cada pessoa que entrou lá no Espaço Cultura Ná Figueiredo pra assistir ao nosso show. Os 200 sacos se acabaram e ficou gente do lado de fora pedindo. Os ensaios nas tardes de domingo. O pós-show com a galera do Turbo e Crashdown no Batistão…

Como começaste a trabalhar como produtor musical? E o que levou para esse caminho?

Ainda durante a existência do Stigma, comecei a fazer umas pequenas gravações da banda. Alguns amigos gostaram, e comecei a oferecer meus serviços à poucas pessoas. Gravei a música ‘Closer’ do Step2, que fez um bom sucesso no meio, e isso me inspirou a ir estudando e conhecendo mais sobre produção e gravação. Quando gravamos nossa primeira demo, a mix ficou uma porcaria, então comecei a mexer pra tirar um som melhor, e ficou! Fui gravando uma banda ali, outra aqui, o negócio foi ficando mais sério e quando vi já estava trabalhando nisso de verdade.

O que e quais bandas você poderia destacar do rock paraense?

Pra ser 100% sincero, fazia um tempo que eu estava distante do rock paraense. Depois que o Stigma acabou, minha primeira filha nasceu, e com filho tudo muda. O último show que vi, foi do Dharma Burns a uns 2 anos!  Então eu conheço mais o pessoal que vem gravar comigo, e dou sorte de geralmente gravar bandas que acabo achando o som legal. Voltando a pergunta: eu gosto da nova fase do Turbo, gosto dos shows do Sincera que vejo pelo Youtube,  gostava do Ataque Fantasma (que nem sei se ainda existe), ouvi a demo do A Red Nightmare e achei uma das bandas de metal mais organizadas e estruturadas daqui que já ouvi. O Aeroplano no novo CD  também está bem, o próprio Dharma Burns é uma banda que acho muito boa (e estou produzindo o novo CD atualmente). E tem o Johny Rockstar que tá com um CDzão pronto há dois anos e parece que finalmente o produtor da banda, Bernie Walbenny, vem pegar pra mandar prensar.

Como tu avalias o mercado da produção musical no Brasil?

Complicado. Ando conversando com alguns colegas de fora, como o Jera Cravo e o Fábio Baumann da Canil Pro Áudio, e todo mundo está meio que na mesma. Os produtores e técnicos são  o último ponto da cadeia, então profissionalmente falando, somos os que mais penam. O artista reclama que não tem dinheiro, e mesmo quando tem, já chega com a gente chorando pra baixar preço, isso e aquilo. Agora, como um técnico ou produtor se mantém? Um software como o Cubase 6 ou o Pro Tools 9 está na faixa de $400, uma interface de áudio boazinha não sai por menos de R$2000, sem contar microfones, outros softwares, tratamento acústico, despesas com contas, instrumentos do estúdio, e a nossa própria família. É difícil conseguir proporcionar um trabalho de qualidade sem um certo custo. E isso é ainda mais dificultado pela galera que não investe nos seus equipamentos, usa somente software pirata, não investe em si como profissional e cobra um preço lá em baixo. Ai o cara que investe, estuda, se esforça tem que derrubar seu preço pra conseguir o cliente. E ainda tem mais uma coisa: com a internet e a facilidade de se baixar software pirata, ‘todo mundo’ virou produtor agora. O cara baixa o Logic ou o Nuendo de algum site de torrents, uns plugins da Waves, usa o preset pronto que vem no programa e acha que já é produtor, esquecendo que tem muitas técnicas por trás disso. Ai você me diz ‘Ah, mas o músico sabe que isso não tem qualidade…’. Pode até saber, mas digamos que 60%e não tá nem ai. Com produto de baixa qualidade, por mais barato (ou de graça) que seja, você não ajuda as bandas e ainda quebra o mercado de uma galera que rala muito. E ai eu incluo o pessoal que grava ‘de graça’ a partir de recursos obtidos através de leis de incentivo, pois isso não desonera ninguém de gravar e produzir com qualidade, senão vira jogo político: quem tem mais força política consegue participar do mercado, e não quem tem qualidade. E não é por ai.

Uma prova disso tudo que acabei de falar é que vários estúdios histórias nos EUA e na Europa estão fechando as portas. Não é no Brasil, nem em Belém, mas se lá que tem um mercado estabilizado, as bandas tem muito mais facilidade pra conseguir recursos e sempre existiu um mercado de verdade, está acontecendo isso, o que se pode esperar do Brasil? Isso me preocupa bastante e toda a galera da área deveria parar para refletir nisso.

Falando em política, é bom ressaltar que nós não temos sindicato, não termos normas, não temos quem lute pela gente. Ora, sem querer desmerecer as prostitutas, se até elas tem um sindicato, porque nós técnicos e produtores não temos? Em vez de ser um meio desunido, que um vive pra tentar passar rasteira nos outros, era mais jogo tentar ganhar alguns direitos. Um mínimo por hora, reconhecimento da profissão pelo INSS (se você tenta se inscrever como empreendedor individual, não existe a profissão ‘técnico de áudio’ ou ‘produtor musical’), essas coisas. Produtores e técnicos tem que ter voz não só pra falar mal da concorrência, mas também pra criticar e lutar por um mercado mais justo! Uma vez fui testemunha de uma ação no Ministério do Trabalho e ouvi a juíza dizer que ‘gravar CD não garante direito nenhum como empregado’. Ou seja, quem é técnico ta basicamente a mercê do acaso. Ai também que eu acho que as associações também poderiam entrar: nós fazemos parte do mercado, e nos ajudando, as bandas são ajudadas – é um jogo de reciprocidade. Porque não chamar os donos de estúdio pra formar parcerias e descontos com a galera do rock?  NINGUÉM iria sair perdendo.

Quais são os teus próximos projetos?

Bem, estou produzindo o CD da minha esposa, Iza Haber, que vem sendo um grande desafio pra mim, pois são estilos e texturas que não tenho costume de ouvir e trabalhar, mas que está ficando muito bom. Em breve também estarei começando junto ao Turbo a pré-produção do CD deles, estou conversando com o Sincera, estou conversando com o Andro do Baudelaires, fui convidado pra uma banda…Mas o maior dos projetos é conseguir se estabilizar financeiramente nessa profissão. Terminei minha faculdade em Ciência da Computação no ano passado, que tinha parado em 2005 por conta da música, esperando conseguir um sustento mais estável. No entanto, ninguém quer um cara chegando aos 30 sem experiência. Então, por enquanto vou ralando, torcendo pra pegar mais bandas de rock, pois são elas que são as mais apaixonadas e se importam mais com seus trabalhos – além de dificilmente darem calote ou causarem outros tipos de problema, o que não é raro fora do rock. Mas o futuro, e os próximos projetos, dependem de muita coisa.

Entrevista Especial: Camillo Royale apresenta o selo Rajada Records e novos empreendimentos

Camillo Royale é guitarrista e vocalista da seminal banda paraense Turbo. Agora ele está investindo num projeto que o lançamento do selo Rajada Records, onde o produto principal será no formato de fitas cassetes. Além disso, a banda Turbo lançará no dia 29 deste mês, na Livraria Saraiva, o novo single “Apaixonado, sem medo de ser cafona”. Saiba todos os detalhes, agora nessa entrevista especial com o próprio.

Como surgiu a ideia de montar o selo? e por que no formato fita cassete?

A idéia do selo surgiu com a necessidade de poder lançar o material do Turbo.O primeiro lançamento seria um vinil de 7″, mas devido a atrasos de mix/master e falta de grana ficou pra depois. A ideia da fita veio de uma conversa casual com um amigo que falou que ainda lançavam fitas na gringa. Fui atrás e vi que era possível e achei um formato interessante. Daí juntei forças com o João Lemos (Sincera) que assina a parte gráfica do selo Rajada Records e o nosso 1º lançamento será o “Rajada on The tape Vol.1”. Um k7 split com Sincera no lado A e Turbo no lado B.

Fala sobre esse novo single da banda: “Apaixonado sem medo de ser cafona”?

Essa faixa é o single desse mês e estará no k-7  junto com mais 3 inéditas que gravamos pra esse projeto. Essa música foi gravada e produzida por Ivan Jangoux. Acredito que essa música seja uma das mais pops que tenhamos feito até hoje, mas apesar de ser inédita pro público é uma música bem mais antiga das que estão no 1º disco. Ela tem um pacote pra download contendo capa do single, música e cifras. (Para baixar o single clique aqui)

Para você qual é a importância das redes sociais para a divulgação do trabalho musical dos músicos e bandas independentes no Brasil?

De enorme importância. Sem elas muita gente não estaria conhecendo melhor sobre o nosso trabalho e a respeito do selo. Até hoje é impressionante saber que alguém em Porto Rico, como aconteceu recentemente, ter escutado e gostado da nossa música.

Como você analisaria a cena atual do rock paraense?

Mais bandas diferentes e interessantes surgindo e cada vez mais profissionais. Gosto muito do que se produz por aqui e o selo daqui a algum tempo pretende lançar outros artistas locais.

E quais são os próximos passos da banda Turbo?

Esse semestre lançar o k-7, semestre que vem finalmente o compaco 7″ e seguir tocando aonde nos chamarem.

Entrevista Especial com o Fotógrafo mais Rocker do Pará: Mário Guerrero


Contato com Mário Guerrero: http://www.marioguerrero.fot.br/

 Mário Guerrero é um dos fotógrafos mais importantes da cena rocker do Pará. Com uma vasta experiência, ele registrou momentos históricos. Agora, ele está aqui no blog Rock Pará para contar um pouco dessa trajetória e também alguns detalhes marcantes desse caminho brilhante.

Quando começaste a se interessar pelo Universo das imagens e da fotografia?

Em 82, ganhei uma câmera de uma tia, uma câmera profissional, desmontei toda pra ver como funcionava nunca mais consegui montá-la. Depois entrei na UFRA (Universidade Federal Rural do Pará) e conheci um professor, que era fotógrafo amador (prof. Edilson Matos) um pesquisador. Então, comecei a usar o equipamento dele, detalhe tudo mecânico. Depois disso, comecei a estudar fotografia, ia pras bibliotecas da UFPA (Universidade Federal do Pará), Museu Goeldi, Embrapa,  onde tinham as melhores publicações. Estudar fotografia nessa época era complicado e caro, gastei muita grana com xerox, depois comprei minha primeira câmera, foi quando comecei também a fotografar o movimento de rock de Belém.

Quais foram os melhores momentos da tua carreira como fotógrafo da cena musical e do rock do Pará?

Cara, eu comecei a fotografar a cena com o pretexto de entrar de graça nos shows, estava começando a fotografar, então os resultados não eram bons, ou seja,  a maneira que eu aprendi a fotografar foi na velha técnica autodidata de “tentativa e erro”, uma técnica muita cara, pois eu gastava dinheiro com filmes e revelações. Teve uma das versões do projeto Preamar, no Centur, que na época era tão importante como o Hangar é hoje. Não lembro direito a data. Mas tocou o Álibi de Orfeu com a maravilhosa Gabriela depois o Insolência Pública. Quando tocou o Insolência Pública foi uma loucura, me arrepia até hoje quando falo disso. Foi emocionante.  Teve uma hora que o público subiu no palco e os músicos desceram, e eu parei de fotografar, e fui pogar também. Foi maravilhoso. Outro show marcante foi da banda DNA no teatro Waldemar Henrique.

O que você acha da cena atual do rock paraense?

A cena fica em uma oscilação de shows com o grande agravante de não termos espaço para as bandas tocarem, já aconteceu de bandas de fora não tocarem aqui por não ter onde fazer o show

Qual é a tua opinião sobre o trabalho dos fotógrafos daí de Belém, sobretudo, os que cobrem os shows de rock?

 Hoje, a fotografia está mais acessível, mais fácil de fotografar.  Veja bem, falo de apertar o botão com pouco custo. Então, tem muita gente que se acha fotógrafo, acha que é só colocar a máquina pendurada no pescoço, e pronto. Eu sou fotógrafo. Mas apesar disso, tem pessoal fotografando bem, estudando e isso é importante, estudar. Outra coisa que é fácil, hoje em dia, é estudar fotografia, quando comecei só estudava em bibliotecas da Universidade Federal e do Museu Goeldi

 Quais são os teus próximos projetos?

Estou com três projetos em andamento, um deles em Macapá, outro que aqui em Belém sobre a minha história e uma exposição do material que eu tenho  sobre os meus trabalhos realizados nas décadas de de 90 até o ano de 2000, que farei em parceria com a Pró Rock.

O que precisa acontecer para melhorar, sobretudo nos shows daqui de Belém?

As pessoas que produzem show precisam se preocupar não só com o som, mas também com a luz. Nós fotógrafos agradecemos

 

Entrevista Especial com o produtor musical Rafael Ramos – DECKDISC

Rafael Ramos é muito mais do que explana o Wikipédia. Rafael Ramos é atualmente um dos produtores musicais mais importantes da cena do Rock Nacional, tanto produzindo bandas e artistas fortes no mercado brasileiro como Capital Inicial, Pitty, Dead Fish entre outros. Como também desenvolvendo o trabalho de novas bandas como o Vivendo do Ócio, direto da Bahia.

Além disso, ele também já fez parte das bandas Baba Cósmica (baterista e depois como vocalista) e tocou bateria na banda de hardcore Jason.

Rafael concedeu uma entrevista especial para o blog Rock Pará, na qual conta detalhes sobre os novos projetos do selo e gravadora Deckdisc, como a netlabel Vigilante. Ele também relata o interesse em relação as bandas do Pará.

Você já foi baterista de várias bandas, antes de ser produtor. Fale sobre essa experiência como músico?

Gosto da bateria até hoje. Foi o instrumento que casou comigo, quando eu era bem pequeno, mais que guitarra e baixo… Mas não tenho tocado, uma brincadeira ou outra, nada demais. Tô beeem enferrujado, na real.

Como começaste o teu trabalho como produtor? E também sobre a história da Deckdisc?

Comecei produzindo discos pro meu selo independente chamado Tamborete Entertainment, que tive com o Leonardo Panço (jornalista do Rio, guitarra do Jason, que toquei) nos anos 90. Fui produzir porque era o único da galera que já tinha entrado em estúdio alguma vez na vida. Fiz Sex NOise, Poindexter… discos bem massa. As gravações duravam 24, no máximo 36 horas. Pra fazer o disco TODO, MIXADO! Meus pais sempre tiveram a Deck e começar a trazer projetos pra dentro foi acontecendo de forma natural. Umas coisas foram dando certo e hoje estamos aí, felizes e na batalha!

Como surgiu a ideia de criar o Vigilante? E no que ele consiste?

O selo Vigilante é uma forma de se estudar o mercado da música e os novos caminhos. Experimentando mais, contratando bandas mais loucass, estilos diferentes. Foi uma das formas de permitir arriscar mais artisticamente, na escolha das bandas… com uma relação em que “parceria” e “planejamento” são palavras chave.

O mercado da música, tanto no mundo independente quando no âmbito mais comercial, está sem muita definição. Qual é a sua opinião sobre a atual situação do mercado da música, no Brasil e no mundo?

Nêgo reclama muito, mas quando aparece uma coisa muito boa (e tem rolado várias) a parada estoura e dá dinheiro. Da Lady Gaga ao The XX. Sempre tem coisa virando, acontecendo mesmo. Acho que a galera tem meio é que parar de reclamar, falar mal da indústria e se preocupar em melhorar seu produto (olha eu chamando música de produto!!!). E isso vale pro mundo.

O que você conhece do rock paraense?

Meu pai produziu o Flor Atômica do Stress. Vi o texto que você me mandou e me emocionei. Acho esse disco clássico. Conheço acho que zero da cena atual mas esse é o motivo desse contato dessa entrevista: compartilhar. Pelos links que você me mandou já vi que tem muita coisa boa.

Rockabilly da Melhor Qualidade – Red Lights Gang

Direto de São Paulo, uma das bandas mais interessantes de Rockabilly, Red Lights Gang. Conheça mais sobre ela nessa entrevista especial com o Igor Dalbone (violão e guitarra). Mais informações sobre a banda: http://www.myspace.com/redlightsgang

Como e quando começastes a se interessar pelo universo do Rockabilly?

Tudo começou em casa. Sempre ouvi boa música através dos meus pais: Beatles, Os Incríveis. Nessa leva toda tinha Elvis Presley.Tenho belas recordações do tempo das fitas K7 tocando no Voyage azul do meu pai, e isso ajudou muito. Depois, tive contato com o country de Johnny Cash. E a partir do momento que montamos o projeto da Red Lights Gang, aí o rockabilly e o country tomaram conta do meu playlist.

Quais foram as tuas primeiras experiências como músico e quais as principais  influências musicais?

Esse é meu primeiro projeto que dá certo (rs), todos da banda já tocavam com outras bandas na cena rock de São Paulo, mas desde muleque tive pequenas bandas de garagem mesmo. Acho que esse lance de influência é muito mutante, a cada hora algo me influencia. Mas citaria sem dúvida Johnny Cash, Ray Charles e Beatles como as bases mais sólidas.

Como e quando surgiu o Red Lights Gang?

Costumamos dizer que estamos na contra-mão na maneira de formar uma banda. Resumindo, o Toro (guitarra) tinha uma música, e foi pedindo para os amigos gravarem as partes. The Devil’s Knocking (http://www.myspace.com/redlightsgang) foi gravada sem que nenhum dos integrantes se conhecesse, isso no final de 2008. Juntamente com o Toro e comigo, gravamos esta música o Ramon (piano), o Marcial (baixo acústico) e o Américo (vocal). No começo deveria ser uma banda de country clássico (sem bateria). Mas resolvemos fazer um teste e a bateria entrou na banda, junto com Mick Six, nosso baterista. Infelizmente o Ramon precisou deixar a banda por motivos pessoais. A banda agora é Toro (guitarra), Igor (violão), Marcial (baixo acústico), Mick Six (bateria) e Américo (vocal).

Quais foram os melhores momentos da banda?

Já dividimos palco com grandes bandas, como Crazy Legs, Zumbis do Espaço, Velhas Virgens, Gorilla (Hungria), Los Primitivos e Motorama (Argentina). Mas sem dúvida o momento mais legal foi dividir o palco com os Dead Rocks e Os Incríveis, lendária banda da Jovem Guarda, num festival no SESC na cidade de São Carlos, interior de São Paulo.

Como você analisa o mercado da música independente nacional?

Acho que com a internet, as coisas ficaram melhores pras bandas menores. O myspace está aí pra todos, o youtube também. Porém a qualidade ainda, e sempre, será o principal. Temos muitas opções hoje, num clique você troca, então fazer um bom trabalho será fundamental.

Essse blog tem como um dos principais objetivos divulgar a cultura musical paraense. O que conheces da música do Pará?

Sinceramente, e infelizmente, não conhecemos quase nada. Madame Saatan é uma referência de rock no Pará. Além disso, Fafá de Belém e Calypso.

Quais são os teus próximos projetos e do Red Lights Gang?

O primeiro cd da Red Lights Gang deve ficar pronto em Maio, e tenho certeza que esse ano será muito importante pra banda. O CD sai pela Bad Habbits (único selo da América do Sul de rockabilly) e isso ajuda na divulgação tanto no Brasil, quanto no exterior. Queremos tocar nos mais diversos lugares que pudermos, estamos com muito gás pra quebrar tudo por aí, inclusive fora de SP.

Gostaria de agradecer pelo espaço pro Rockabilly/Country, e espero tocar por aí em breve!
Abraço.