O público roqueiro comparece para assistir o documentário do Foo Fighters – "Back and Forth"

O público roqueiro de Belém foi um dos contemplados para assistir o documentário “Back and Forth”, que conta a história da banda Foo Fighters, liderada por Dave Grohl (como o mundo inteiro já sabe – ex-baterista do Nirvana). O filme foi exibido em uma das redes de cinemas da cidade, durante esse final de semana e contou com um bom público, mesmo com um horário bastante complicado para algumas pessoas, às 23 horas.

Mas quem esteve presente não teve do que reclamar, pois em quase duas horas é contada, em vários pormenores toda a trajetória dos Foo Fighters. Altos e baixos, problemas de todos os tipos, a possibilidade do término da banda; tudo isso marcado por momentos de bastante bom-humor promovidos por Dave e companhia.

Mas a melhor parte ainda estava por vir, foram entregues para cada pessoa óculos 3D, e meio que sem entender, uma boa parte do público usou o apetrecho durante toda a sessão (inclusive eu). Mas os óculos serviram para a melhor sacada que o genial Dave Grohl poderia ter, ou seja, o público assistiu e ouviu todas as músicas do novo disco da banda (“Wasting Light”) na garagem dele e em formato 3D. SIMPLESMENTE GENIAL. Fica aqui um aperitivo do que aconteceu.

O amor e a arte da destruição

Banda Destruidores de Tóquio, de Capanema, toca em Belém e lança décimo videoclipe com influência de Brian de Palma

Empreendedores e articulados, eles produzem os próprios festivais, festas, turnês, videoclipes e gravam seus próprios discos. De Capanema para o mundo, através da rede de computadores, estamos falando d’Os Destruidores de Tóquio. “A gente pratica o esquema faça você mesmo, de vez quando somando a ajudinha dos amigos”, diz Alex Lima, baixista e vocalista do grupo, que estará na próxima sexta-feira no projeto Fins de Tarde, da Livraria Saraiva, e, sábado, no projeto Ensaio Aberto do selo Na Music e Associação Pro Rock.

Com pouco dinheiro, irreverência e muita criatividade, o grupo já produziu nove videoclipes e sete discos, todos, exceto o último álbum (O Avesso do Avesso, Na Music, 2010), produzidos de forma caseira. A banda também já fez uma turnê pelo interior de São Paulo e tocou em estados como Tocantins e Rio de Janeiro, além de ter produzido cerca de 15 festivais em Capanema e pelo interior com do estado como os “Rock no Balde” e “Invasão Caipira”.

Eles começaram a chamar a atenção em 2004, quando um amigo apresentou um dos primeiros discos ao produtor Nicolau Amador, então guitarrista da banda Norman Bates. “Fiz o primeiro show deles em Belém em 2004. Chamou a atenção que apesar dos discos serem muito mal gravados havia um impulso criativo muito forte ali. Tentei produzir um disco deles depois, mas eles também são muito inflexíveis em relação a esse impulso criativo, o que os impede a meu ver, de ter maior visibilidade”, diz o produtor.

Mas foi justamente essa impulsividade de auto-afirmação que expôs a banda em um episodio marcante para a rede de bloggeiros e produtores de rock no Pará. Ano passado, quando foram convidados para um festival, os músicos, pelo fato de não receberem cachê, pediram para tocar em uma posição privilegiada da programação. Na resposta dos produtores, havia uma brincadeira desdenhosa dizendo que eles deveriam se contentar em tocar na abertura da programação. Na mesma seqüência de mensagens, o coletivo que produzia o evento “desconvidava” o grupo.

Logo os @destruidores começaram a disparar tweets para os principais produtores de música independente do estado e do país, denunciando a arbitrariedade do coletivo. A repercussão fez os organizadores voltarem atrás da decisão e negociar uma posição melhor para o grupo.

Tanta produção e articulação, porém, nunca fez o grupo pensar em virar um coletivo ou se associar a qualquer um deles. Ao contrário eles transitam com uma boa imagem hoje em todos os seguimentos da música independente local. O motivo é simples, segundo Nazo Glins. “A gente nunca quis ser um coletivo porque assim a gente dá mais visibilidade pro nome da banda dessa forma”, comentou ele, em entrevista ao blog da Pro Rock.

Assim, com coragem e criatividade, os DDT estréiam no próximo sábado o décimo videoclipe. Nazo, produtor, diretor e editor de todos os clipes da banda, começou a mexer com vídeo em 2006 e aprendeu fazendo. “Comprei um editor de imagens, o software Vegas e baixei os tutoriais da internet. Meus primeiros vídeos eram só com fotos e câmeras de celular. Eu não sabia mexer muito, nem sabia renderizar os vídeos”, conta.

“Love”, uma das poucas músicas em inglês da banda, fala de um amor puro e honesto que o faz “sentir que está andando nas nuvens”, bem ao contrário do humor negro de “Hipocondria” e outras músicas do grupo. “Na verdade é uma bobagem romântica que eu escrevi quando tinha 16 anos. Tem alguns erros, mas decidi deixar assim mesmo”, diz Nazo, que também se diz influenciado pela música romântica cafona. Não o tecnobrega, mas o brega romântico dos anos 80.

As influências kitsh se misturam com a cultura pop mais sofisticada. “Love” tem a edição de telas divididas como nos filmes de Brian de Palma. “Meu primeiro contato com ele foi com o filme ‘Dublê de Corpo’. Eu pirei. Era bem garoto quando vi o filme, e isso influenciou muito na minha maneira de fazer arte”, conta o diretor.

Na sexta-feira, O DDT se apresenta em um pocket show acústico produzido pelo Coletivo Megafônica na Livraria Saraiva (Shopping Doca Boulevard, 2º piso). No sábado, às 16h se apresentam na loja Ná Figueredo com a banda Sincera. Desde as 15h, haverá apresentações de videoclipes inclusive a estréia de Love. O Ensaio Aberto é uma parceria com a Pro Rock.

Serviço:

Destruidores de Tóquio – Acústico

Sexta-feira, 24 – às 18h na sala Benedito Nunes da Livraria Saraiva (Shopping Boulevard)

Sábado, 25 – Ensaio Aberto com Destruidores de Tóquio e Sincera

Especial: Mande a banda Warpath para Minas Gerais – Festival Roça'n'Roll (Varginha)

CONTRIBUA:

Danilo Leitão da Silva
Banco Itaú
Conta: 37125
Agência: 1573

O Roça n Roll acontece entre os dias 23 e 25 de junho em Varginha (MG).

Serviço:
Show da Warpath, com participação das bandas Mitra, Scream Of Death e A Red Nightmare.

Dia: 22 de junho
Local: Scorpions Rock Bar – 16 de novembro, proximo à Tamandaré, em frente ao hospital Militar Santa Maria do Grão Pará.

Entrevista Especial: Zé Lucas – A Red Nightmare

A banda A Red Nightmare representa um dos grandes expoentes da cena de metal do Pará. E para falar sobre essa realidade, quem falou conosco foi o vocalista Zé Lucas. Confira tudo agora. Além dele, a banda é formada por: Patrick (guitarra), Igor (guitarra), Denys (baixo) e Luciano (bateria).

Myspace

Twitter: @Arednightmare

Facebook: A Red Nightmare

E-mail: arednightmare@gmail.com

Como surgiu a banda A Red Nightmare?

A banda já tinha algum tempinho em estúdio passou por vários ajustes de formação e antes tinha outro nome, eu fui o último a entrar na banda, em setembro ou outubro do ano passado, pouco mais de um mês antes do primeiro show da banda, no Ensaio Aberto Ná Figueredo, em novembro. Aí que a formação estabilizou, composições amadureceram e fixamos o nome “A Red Nightmare”. A história da origem da banda em si é meio sem graça mesmo… Nossa história é montada em cima de esforço, dedicação e suor. Nada de grandes talentos ou ideias genias vindo do nada, tudo o que fazemos é fruto de MUITO trabalho, dedicação e amor pelo o que fazemos.

Em relação as composições, quando músicas já estão prontas? Como ocorre esse processo? E qual é a perspectiva para o lançamento do primeiro CD da banda?

Até o momento, temos seis músicas “prontas”, uma em composição e  mais umas duas engatilhadas. O processo de composição é trabalhoso. Não porque seja dificíl, mas porque somos muito perfeccionistas e gostamos de passar horas ajustando os mínimos detalhes das músicas, por isso as aspas na frase anterior: nós vivemos mudando e melhorando as músicas sempre que podemos, até estarmos satisfeitos. Mas no geral compomos com trabalho árduo mesmo. Não gostamos de nos limitar à estilos ou gêneros na hora de compor. Nós seguimos a música. Ela que manda no processo de composição. As coisas vão fluindo e nós só vamos ajustando de acordo com nosso gosto e ideias. Temos sorte de ter uma formação com influências bem variadas, mas que funciona muito bem junta.

Sobre CD, aí não sabemos dizer ainda. No momento estamos compondo e se consolidando. Com o tempo, e quando tivermos músicas o suficiente, faremos o disco. Mas ainda deve vir um single ou Ep qualquer dia desses.

Como foi a experiência de ter realizado a edição paraense das Seletivas do Wacken? Como foi ter participado? O evento ainda contou com a participação do jornalista Airton Diniz, da Roadie Crew, qual foi a impressão dele sobre a cena de metal pesado daqui?

Ter realizado o Wacken foi sensacional. Sou fã de metal há anos e me criei aqui, ouvindo as bandas locais. E sempre fiquei insatisfeito na visão que as pessoas tem e com a falta de atitude que muitas de várias pessoas da cena do metal paraense. Quis fazer a minha parte pra dar um empurrão de profissionalismo e reconhecimento que acredito que a cena está precisando. Temos grandes exemplos locais, Anubis, Disgrace and Terror (que vai fazer uma turnê na Europa esses tempos), Madame Saatan (que está me deixando louco de ansiedade com esse disco vindouro), Stress… Mas precisamos de MAIS.

O cenário local é muito rico e muito produtivo, mas carece de profissionalismo e de vontade de crescer, de expandir seu nome e reconhecimento. As bandas e produtores me parecem muito acomodados às vezes, a galera precisa se espertar se quiser conseguir algo que realmente valha a pena a longo prazo.

Ter participado da seletiva também foi incrível. Dividi palco com bandas, que assisti antes de ter uma banda. Necroskinner, Warpath e All Still Burns foram bandas que vi quando comecei a frequentar shows de metal e que instilaram minha paixão pelo gênero. Sei que os caras da Hellride pensam assim também, porque os conheço bem (e estou produzindo um EP deles que deve ser lançado em breve) e eles são novatos na cena, como nós.

Por fim, foi uma grande honra receber o Airton Diniz em Belém. É uma pessoa extraordinária, super gente boa e nos deu montes de incentivo e ajuda para operacionalizar o evento. Ele já conhecia alguma coisa da cena de Belém, e já tinha ouvido falar de algumas bandas. Saiu daqui muito satisfeito e com promessas de voltar. Nem que seja só pra passar férias.

Quais são e serão os planos futuros da banda daqui para frente?

No momento, compor. Temos dois shows em vista. Um agora no dia 22 de junho, no bar Scorpions, que é para ajudar a arrecadar grana para a ida da Warpath para a final nacional do Wacken Metal Battle. E outro que será divulgado em breve. Depois disso, vamos passar o mês de julho incubados compondo, pra voltar em agosto com material novo e brutalidade renovada! Mais adiante do que isso não tem nada certo ainda.

Ainda estamos no começo de carreira e temos muitos planos. Mas não temos pressa, pra não nos atropelarmos. E fazer tudo direitinho como gostamos de fazer.

Como você analisa o mercado independente da música paraense? E como ocorre o companheirismo entre as bandas de metal do Estado?

O mercado independente no Pará vem crescendo incrivelmente nos últimos anos, mas ainda tem um longo caminho pela frente para ter o reconhecimento que, de fato merece, pelo resto do País. Isso se estende, de alguma forma às bandas de metal locais, ainda que tardiamente.

Mas o companheirismo é constante.

Somos todos companheiros e irmãos de guerra no Underground Paraense. Lutando juntos por espaço e pela música que amamos.

Está chegando o dia. Será amanhã (17): Humberto Finatti em Belém

Para várias pessoas pessoas, formadoras de opinião ou não, o jornalista Humberto Finatti é gerador de polêmicas. Só que para outras, ele é um grande divulgador da cena independente do Brasil. O mais importante é que ele está aqui no Rock Pará, relatando um pouco de toda essa experiência acumulada. E o mais importante, ele estará em Belém, no dia 17 de junho, no Café com Arte, junto com a banda The Baudelaires, discotecando dentro de um evento da produtora Vandersexx. Ficou curioso? Conheça mais sobre as opiniões de Finatti no blog: http://www.zapnroll.com.br/ (O blog de Rock Alternativo e Cultura Pop mais legal da internet brasileira). Além de tudo isso, ele tem uma grande admiração em relação a cena musical independente de Belém: “Porra, eu acho realmente impressionante a cena musical daí, especificamente de Belém já que não conheço a de outras cidades do Estado. A diversidade de estilos dos grupos, a qualidade musical que todos eles possuem, é realmente algo que impressiona. Tem o metal do Madame Saatan, o reggae engajado do Juca Culatra, a psicodelia poética da La Orchestra Invisível, o power pop quase perfeito da Suzana Flag, o indie guitar apaixonante dos queridos Baudelaires, o emocore do Sincera. Sou capaz de afirmar que todos esses nomes fazem um trabalho muuuuuito melhor do que aquele que vejo hoje em dia nas bandas do rock independente de São Paulo e de todo o Sudeste, com algumas honrosas exceções. E enfim, estou indo praí pra conhecer finalmente a cidade, né? Passei muitas vezes por Belém, a caminho de Macapá (onde fui cobrir algumas vezes o festival QuebraMar, e onde acabei namorando uma garota por quase dois anos, o que me fazia ir muitas vezes de São Paulo pra lá), mas nunca saí do aeroporto de vocês, rsrs. Então como me convidaram para cobrir um festival em Boa Vista no dia 11 de junho, resolvi esticar a viagem até aí. Conseguimos fechar uma festa do meu blog, o Zap’n’roll (hoje um dos mais acessados do Brasil na área de rock alternativo e cultura pop), no Café com Arte, e estaremos aí dia 17 de junho, pra discotecar na pista do Café, enquanto os Baudelaires tocam ao vivo. Aliás, pra mim, a banda do Andro Pinheiro é hoje um dos melhores grupos em atividade no Brasil.”


Como e quando começaste a se interessar pelo Rock’n’Roll?

Faz tempo… lá pelos onze, doze anos de idade, influência da irmã mais velha (e que hoje mora na Espanha), e dos primos também. Meus primeiros discos de vinil foram “The Dark Side Of The Moon” e “Wish You Were Here”, do Pink Floyd, “Sabbath Bloody Sabbath”, do Black Sabbath, “Relayer” do Yes e o primeiro do Secos & Molhados, rsrs. Eu adorava rock progressivo. Depois, quando fui “fisgado” pelo punk rock (lá por 1978, quando comprei o “Nevermind The Bollocks – Here’s The Sex Pistols”), nunca mais quis saber daquela punehtagem instrumental, rsrs. Passei a detestar prog rock, como detesto até hoje.

Como e quando começaste a escrever sobre música? E quais foram os teus melhores momentos?

Poutz, essa resposta daria um livro, rsrs. Meu pai era publicitário e minha mãe, artista plástica. Então eu sempre convivi em um ambiente muito cultural lá em casa. Me lembro que pegava a máquina de escrever do meu pai e ficava “catando milho”, e brincando de estar escrevendo uma reportagem para algum jornal, hehe. Isso quando eu tinha uns doze anos de idade. Eu também gostava de imitar locutores de rádio, que transmitiam jogos de futebol, veja só. Foi então, quando comecei a comprar os discos com a mesada que minha mãe me dava, que comecei realmente a querer escrever sobre música e tal. Comecei num jornalzinho do colégio em que eu estudava, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. Aí depois se passou um longo período: acabei o ensino médio, perdi a virgindade (aos 16, ahahaha), fumei meu primeiro baseado (também aos 16, hehe), fui tentar jornalismo e cinema na USP, mas nunca consegui entrar lá pra fazer nenhum dos dois cursos, o vestibular da USP é realmente foda. Foi então que através de amigos comecei a escrever alguns textos pra uma revista minúscula, formato de bolso, e que se chamava Rock Star, isso em 1986. Eu tinha 22 anos de idade e foram meus primeiros textos pagos, que eu recebi algo por eles. Me lembro que fiz um perfil dos Smiths (que estavam estourando no mundo todo, inclusive no Brasil) e mais alguns textos que não me lembro mais quais eram. Nessa revista escrevia um sujeito chamado Leopoldo Rey, que também colaborava com uma revista chamada Somtrês, e que era dirigida pelo hoje famoso Maurício Kubrusly, que faz aquele quadro no Fantástico, o Me Leva Brasil. Através de contatos feitos pelo Leopoldo, também comecei a escrever para a Somtrês, onde colaborei por dois anos, de 1987 a 1989. E como a revista era publicada pela editora 3, de São Paulo, e que também publicava a semanal IstoÉ, também comecei a colaborar com a IstoÉ. De colaborador passei a repórter da editoria de cultura – onde fiquei por três anos – e aí decolei na profissão. Isso tudo sem ser formado em jornalismo! Acabei me graduando no curso de História e só depois fui fazer jornalismo, mas desencanei depois de seis semestres porque tudo o que eu estava vendo no curso eu já sabia na prática, trabalhando na redação da IstoÉ.

Longa resposta né? Ah, sim, melhores momentos: minhas entrevistas longas com Renato Russo na revista IstoÉ e Interview, e também para o caderno Folhateen, do jornal Folha De S. Paulo. Outra entrevista com os Titãs na revista Interview (onde também fiz ótimas entrevistas com o Skank, com Herbert Vianna, Lulu Santos e Lobão, sendo que com ele brigamos feio por causa do resultado final da entrevista nunca mais nos falamos por causa dessa entrevista, rsrs). Também tiveram as entrevistas internacionais, algumas ótimas com o Robert Smith (do Cure), o Black Francis (do Pixies), o baterista do Coldplay e os caras do Teenage Fanclub, que acabaram de tocar em São Paulo novamente. Ah, sim: mandei o John Lydon a puta que o pariu uma vez (quando ele veio ao Brasil pela primeira vez, em 1987, com o seu grupo Pil), e escutei Siouxsie Sioux confessando pro Kid Vinil (que estava do meu lado, entrevistando a perua gótica) que tinha “comido” o Robert Smith, ahahaha. Acho que esses foram momentos bem legais. Opa, mais um: o Robert Plant me dizendo, dentro de uma sala lotada de jornalistas, que eu tinha os olhos lindos, rsrss. Morri de vergonha, rsrsrs.

Qual é a tua opinião sobre o mercado independente nacional?

Outra resposta que daria um livro, rsrs. Acompanho a cena independente há uns quinze anos, pelo menos. Vi milhares de bandas e selos nascerem e desaparecerem. E minha grande descoberta jornalística foi o Vanguart, lá de Cuiabá, hoje um dos maiores nomes do novo rock brasileiro. É um mercado muito complexo e ativo, não resta dúvida. Mas há bandas demais e qualidade de menos, na minha opinião.

Porque hoje, com o advento da internet e a facilidade tecnológica, ficou muito fácil gravar um disco, né? Neguinho grava qualquer merda no seu quarto mesmo, com um computador e tal, posta na internet (no MySpace, YouTube etc) e já se sente um rockstar de primeira grandeza. E tudo isso é uma grande ilusão, né? Venho de um tempo em que não havia essas facilidades todas e a banda tinha que ralar muuuuito pra conseguir algo. Eu não sei de outros jornalistas, mas falo por mim: é um saco você receber trocentos emails com links todos os dias, e também mensagens no teu Facebook e Twitter, de cara pedindo pra você ouvir a banda dele. De vez em quando você é surpreendido com algo realmente bom (como fui surpreendido, dia desses, ao ouvir um trio chamado Single Parents, daqui de São Paulo).

Mas na maioria dos casos são bandas muito ruins e que ainda precisam de muito ensaio antes de se aventurar a mostrar seus trabalho em público. E infelizmente a molecada não tem esse insight, esse discernimento: eles acham que são foda e querem enfiar qualquer droga na sua goela, via internet. Eu, sinceramente, não tenho essa paciência toda. Porque se eu for ouvir todo dia tudo o que me mandam, eu não faço mais nada na vida. Bom, isso em relação às bandas. Em relação ao mercado em si, parece que ele está se sustentando bem hoje em dia, por conta própria e tal. Há espaço para shows e boa vontade até da grande mídia (como a de revistas como a Rolling Stone, na qual colaboro, e a Billboard) em abrir espaço para novos taolentos. Mas tem algo que me incomoda profundamente em alguns setores da atual cena independente nacional: ela fica mamando nas tetas do poder público e usar a música para fazer política, quando deveria ser o contrário: usar a política para fazer música, ou arte em geral. Isso acaba gerando conflito de interesses, surgimento de panelas e todos aqueles vícios que a cena independente sempre amaldiçoou no mainstram musical.

O que você destacaria da cena musical independente do Pará? E fale sobre a tua vinda para cá

Porra, eu acho realmente impressionante a cena musical daí, especificamente de Belém já que não conheço a de outras cidades do Estado. A diversidade de estilos dos grupos, a qualidade musical que todos eles possuem, é realmente algo que impressiona. Tem o metal do Madame Saatan, o reggae engajado do Juca Culatra, a psicodelia poética da La Orchestra Invisível, o power pop quase perfeito da Suzana Flag, o indie guitar apaixonante dos queridos Baudelaires, o emocore do Sincera… Sou capaz de afirmar que todos esses nomes fazem um trabalho muuuuuito melhor do que aquele que vejo hoje em dia nas bandas do rock independente de São Paulo e de todo o Sudeste, com algumas honrosas exceções. E enfim, estou indo praí pra conhecer finalmente a cidade, né? Passei muitas vezes por Belém, a caminho de Macapá (onde fui cobrir algumas vezes o festival QuebraMar, e onde acabei namorando uma garota por quase dois anos, o que me fazia ir muitas vezes de São Paulo pra lá), mas nunca saí do aeroporto de vocês, rsrs. Então como me convidaram para cobrir um festival em Boa Vista no dia 11 de junho, resolvi esticar a viagem até aí. Conseguimos fechar uma festa do meu blog, o Zap’n’roll (hoje um dos mais acessados do Brasil na área de rock alternativo e cultura pop), no Café com Arte, e estaremos aí dia 17 de junho, pra discotecar na pista do Café, enquanto os Baudelaires tocam ao vivo. Aliás, pra mim, a banda do Andro Pinheiro é hoje um dos melhores grupos em atividade no Brasil.

Quais são os teus próximos projetos?

Ficar milionário com o jornalismo rock, ahahahaha. É brincs. Pretendo continuar fazendo o que gosto, sempre e melhor: o blog, cobrir festivais, descobrir bandas e continuar com minha atividade profissional também na grande mídia, como a revista Rolling Stone e o portal Terra.

Dance Like Hell

Dance Like Hell é uma proposta de festa um tanto quanto diferente das quais você está acostumado a ir. Uma festa com ritmos dançantes onde dançar não será uma opção, e sim um ato involuntário.

A proposta é fazer você se divertir como nas outras festas, com musicas que você não costuma ouvir muito por aí. Em uma única noite, nos três ambientes do fuxico estarão tocando o que há de melhor em northern soul, surf music, ska, rock steady, garage sixtie, musica caribeña, jovem guarda obscura, early reggae, sixtie punk, garage sudamericana, R & B, beat…

Por trás desta presepada estão os irmão Jeft e Junior, ex-integrantes da falida Mods Rejects, e  Kaka da Xaninho Discos Falidos. Gente ruim fazendo festa com música bonita pra gente feia.

Espalhados pelos três ambientes da casa, estarão os amigos Gori daRadio Trash, Damasound da Se Rasgum, Carioka vocalista da banda de hardcore Escárnio, Mandy da Peggy, Thiago daLimonada Sonora e Marcio da Control.

Então é isso, dia 24 todo mundo lá no fuxico dançando igual ao Tom Jones em Dances Like Hell!

Serviço:
Dance Like Hell
Dia 24 de junho (sexta-feira) no Espaço Cultural Fuxico (rui barbosa entre conselheiro e mundurucus)
Ingressos: 8 Reais
Apoio: This Is Radio Trash, Se Rasgum, Casarão Cultural, Abunai

Dance Like Hell: dia 24 de junho