Dead Fish em Belém e clássica entrevista com o vocalista Rodrigo Lima

Em 1996, o Dead Fish lançava o seu primeiro CD sob alcunha de ‘Sirva-se’. Na capa, um prato de aluminho vazio ilustrava o título do álbum. No play, quatorze faixas do mais puro hardcore melódico. O estilo, na época, começa a ganha força no Brasil. Até então, hardcore melódico não passava de uma cópia do que se fazia no exterior. O ‘CD do prato’ – como assim ficou conhecido o ‘Sirva-se’ – chamava a atenção não somente por apresen…tar letras em português, mas por começar a dá uma ‘cara’ ao melódico feito no Brasil. Porém, mesmo com a língua nativa, algumas coisas ainda não eram claras. A letra da faixa 9,‘Individualismo de massa’, mostrava-se ambígua: “Sou branco, sou preto, sou punk, sou benger, sou skate, eu sou rapper, sou tudo, sou underground”.

Foi preciso esperar vinte anos de carreira para a letra ter sentido. O Dead Fish, não só inaugurou o hardcore cantando em português, mas se tornou o principal representante do país no estilo mais rápido do Rock’n’Roll. Naturais de Vitória, Espírito Santo, os capixabas, em 2004 com o CD ‘Zero e Um’, cruzaram a difícil fronteira entre o independente e a grande mídia e conseguiram ser tudo: branco, preto, punk, headbenger, skate, rapper. Mas, ao contrário do que escreveram em 96, não se tornaram uma banda ‘individualista de massa’. As raízes do underground nunca foram esquecidas.

E esse foi segredo para a longevidade: souberam usufruir tudo de bom que o mainstrem podia oferecer e jogaram fora toda a parte ruim. O quase intocável mundo fechado do Hard core se rendeu a novas boas idéias. E ao longo da estrada, o preço de muitas escolhas pode ter sido tão ‘core’ quanto à tradução ao pé da letra do sufixo do estilo. Mas, se verso de uma das suas músicas diz que “há urgência em estar vivo é outra forma de pensar”, o que mais precisa ser respondido?

Até hoje, continuam fazendo um som rápido e viril sem abdicar da melódica nas letras mais inteligentes do underground nacional. Coisa que há vinte anos nenhum daqueles garotos, que só desejavam fazer um som e andar de skate, poderia imaginar que a brincadeira daria certo. E como deu.
Em 2009, lançaram ‘Contra Todos’, o sexto disco de estúdio. Nele o Dead Fish se apresenta em sua melhor forma. Com a saída de Hóspede, se tornaram um quarteto. Phellippe Fargnoli consegue tirar de letra o trabalho feito antes por duas guitarras. Alyand, no contrabaixo, e Marcão, bateria, dão forma a uma das cozinhas mais potente do hardcore brasileiro. Por último, Rodrigo Lima, nos vocais, segue verbalizando, como nunca, a avalanche sonora. Ouvir ‘Contra Todas’ é como ler um romance. Revigora todo o espírito jovem de quem ainda tem algo a dizer.

O prato da capa de 1996 continua de aluminho, mas agora não está mais vazio. Segue cheia de histórias, energias, turnês – inclusive uma na Europa – e respeito de todos que admiram quem faz hardcore de qualidade, seja melódico ou agressivo. Música para entreter, divertir e, acima de tudo, desabafar. E assim que, a vinte anos, o Dead Fish segue colocando em prática esse máxima. Ensinado como sobreviver no cenário independente sem abrir mão de suas escolhas.

Serviço: Aniversário de 15 anos da Davu-k Distribuidora com

DEAD FISH (ES) http://www.myspace.com/deadfishoficial
+ Sincera http://www.myspace.com/sincerarock
+ Escárnio http://www.myspace.com/escarniohc
Participação de Maurílio Fernandes (Switch Stance)

Local: Açai Biruta (Rua Siqueira Mendes, Próximo a Igreja da Sé, às margens da Baía do Guajará)
Hora: A partir das 18:00 hs
Data: 07/05/2011 (sábado)
Ingressos: R$ 20 (preço único antecipado)

Pontos de venda: Loja ForFun – Trav. São Pedro, 656 – Batista Campos, fone: (91)-3223-0042 (atrás do Shopping pátio Belém).

Clássica Entrevista com Rodrigo Lima: http://rockpara.blogspot.com/2010/02/entrevista-especial-rodrigo-lima.html


A banda de hardcore capixaba Dead Fish tem uma longa estrada no cenário brasileiro e também é uma das mais bem conceituadas. Para falar sobre os próximos passos da carreira musical e outros assuntos bastante pertinentes, o vocalista, Rodrigo Lima, concedeu uma entrevista especial para o Rock Pará.

Para você quais foram os momentos marcantes na carreira da banda?
Sempre que lançamos um trabalho novo é bem marcante. Me lembro muito do lançamento do Sonho Médio em 99 e do Zero em um em 2004. Um foi um passo a frente no que queríamos fazer definitivamente com a banda, e o segundo marcou nossa entrada na Deckdisc que foi um marco de mudança na administração interna da banda, musicalmente fez uma diferença também.

Com a saída do Nô, houve mudanças na nova sonoridade do Dead Fish? (Nota do Editor: o novo baterista é Marcão, que também toca no Ação Direta)
Ganhamos em tempo e rapidez. Vamos ver como sai o nosso próximo trabalho.


Vocês já tocaram duas vezes aqui em Belém. O que você poderia destacar dessa passagem por Belém? E o que vocês conhecem do Hardcore e do Rock Paraense?
É legal tocar aí, a cidade é bonitona as pessoas são mais calmas e simpáticas do que em outros lugares. Conheço pouco ou quase nada de hardocore daí, mais as coisas que Abunai lança – http://www.fotolog.com.br/abunai_recordss/ .

Mais sobre o Dead Fish, nos seguintes endereços: http://www.myspace.com/deadfishoficial e http://www.youtube.com/user/deadfishoficial

Você é um cara bastante politizado, isso fica bastante explícito nas letras. Qual é a sua análise sobre o cenário político brasileiro, já que estamos em ano eleitoral?
Se cairmos de novo nas mãos dos tucanos estamos fritos. O Governo Lula foi um governo bastante populista também, mas ele fez mais pra maioria do que todos os presidentes anteriores, até mais do que o Getúlio Vargas. Isso não quer dizer que eu ache tudo maravilhoso, longe disso. Ainda tem muita coisa pra ser feita nos próximos 100 anos, principalmente na área de educação/saúde e cultura. Não basta ser um país rico, temos que nos tornar civilizados. E ficar se embasando só em eleições também pode ser uma forma muito lenta de as coisas mudarem.

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