Final de Semana Histórico: Motorhead, Misfits e D.R.I.

Dedico esse texto ao grande amigo e irmão: Beto Fares e também a Regina Silva (Balanço do Rock)

“We are the Motorhead, We play Rock’n’Roll”… Para quem vai, ou já foi a algum show do Motorhead, espera ansiosamente para ouvir essa frase, vinda do Mestre Lemmy Killmister. Os mais de 10 mil fãs não ficaram desapontados e lotaram o Via Funchal.
Na sequência, Lemmy (baixo e vocal), Phill Campbell (guitarra) e Mickey Dee (bateria) já emendaram com “Iron Fist” e “Stay Clean”, uma colada na outra. A abertura foi feita pela banda Alarde, que foi vaiada toda a apresentação.

Mas, que sinceramente, fez o dever de casa direitinho. Agora, eu entendo porque falam que quando acaba um show do Motorhead, você sai surdo de vez, mas feliz da vida, com a alma lavada. É Rock’n’Roll tocado como deve ser, no último volume e sem frescura. Durante uma hora e meia, era possível ver pais, filhos, amigos, headbangers pirando com as cacetadas vindas do palco. Para fechar com chave de ouro, “Overkill”. Com os ouvidos, agora o lance era sair correndo e pegar o show dos Misfits, na Praça Júlio Prestes, que ocorreu na Virada Cultural.

Quando cheguei à Praça Júlio Prestes, parecia que a corda do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, tinha estourado a corda no início da Presidente Vargas (essa é só para quem é paraense ou mora em Belém e conhece o Círio).
Umas 50 mil pessoas esperavam pelos Misfits. Uma mistura de Punks, Carecas, Zumbis, crianças e o que mais pude estar lá; estava. Agora era pagar para ver o que iria sair disso tudo.
Mulheres grávidas desmaiando, crianças passando mal, punks e carecas se matando o tempo inteiro, a polícia retraída e com medo da confusão mais a presença absurda do Zé do Caixão, que sobrevoou pelo público e acabou tomando uma garrafada. Um cenário propício para o caos, e que foi orquestrado da melhor maneira pelos Misfits. Resultado: sangue para todos os lados e o Punk Rock rolando solto no palco.

Quando começou a tocar a música de abertura do clássico do terror “Halloween”, a sensação é que tinha estourado uma boiada, e Jerry Only e companhia tocaram o clássico tema do filme. Depois disso, presenciando cenas surreais no público e contando com a sorte, o esquema era se divertir a cada acorde.
Os Misfits entraram com uma vontade que emocionava, para quem esperava ver essa banda, desde os 15 anos de idade. No decorrer de uma hora e meia de show, quase surdo, era a hora de voltar e se preparar para o que ainda estava por vir.
Dormindo às 10 horas da manhã, e tendo que se estar pronto para ver outra banda importantíssima para quem cresceu ouvindo os LPs “Crossover” e “Thrash Zone”, dos Dirty Rotten Imbeciles (D.R.I.).

Mesmo assim cansado, às cinco horas da tarde, era hora de partir para o Carioca Club. Tudo começou com a banda Ação Direta, que mostrou porque é um dos orgulhos da cena Punk/Hardcore do ABC Paulista. Em meia hora, as cinco mil pessoas presentes já estavam aquecidas. Era preciso um show mais intenso para empolgar mais, e direto de Brasília, a banda Violator mostrou um show, que lembrava porque o Thrash Metal 80 é o melhor, e esse é um revival da década.
Segundo o baixista do D.R.I. Harald Oimoen, Violator é o Futuro do Thrash Metal, os cabeludos de Brasília não paravam um segundo no palco e não desapontaram o mais novo e importante padrinho. Uma apresentação sem botar defeito algum.
“D.R.I.”, “D.R.I.”… Era o que o público pedia. E todos foram atendidos, quando as cortinas se abriram e de cara fomos bombardeados com “Beneath the Wheel”. A famosa roda de pogo estava pronta.
Agora, tudo se explicava porque essa foi à banda que o criou o “Crossover”. Punks e Headbangers se divertindo juntos, sem brigas. Um belo quadro era pintado no Carioca Club. Petardos foram cantados, aliás, berrados em uníssono. Depois desse final de semana intenso, era a hora de tentar dormir. Porém, com um sorrisão na cara.

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