Um belo resultado da Confraria do Rock

Os confrades reunidos (fotos feitas pela Regina)

Durante a realização do lançamento do EP “Confraria do Rock” (www.musicaparaense.blogspot.com), que ocorreu sábado passado (26), durante o clássico programa Balanço do Rock (rádio Cultura FM do Pará), músicos, jornalistas e produtores locais tocaram em vários assuntos ligados ao Rock Paraense.

Entre eles, questões sobre o mercado, a utilização da internet; mas um detalhe bastante observado foi que parece que quem trabalha com música paraense independente vive num universo paralelo, no qual o resto da população local, por algum motivo inexplicado, não acredita que exista.

Mas temos a certeza, que em 2010, a esperança na realização da concretização de vários projetos mude para melhor essa realidade, pois…SÓ O ROCK SALVA. FELIZ ANO NOVO.

Presente de Natal para os Independentes do Pará


Uma bela iniciativa, e que também marcou principalmente o segundo semestre de 2009, foi a parceria entre o clássico programa Balanço do Rock e o grande Azul, reponsável pelo blog de música mais importante do Pará(http://musicaparaense.blogspot.com).

Essa parceria rendeu, dessa vez, um presente de Natal para o público e para as bandas independentes do Pará, o EP Virtual “Confraria do Rock”, que pode ser baixado no blog do Azul.

São ao todo cinco faixas e que emocionam. Aproveite, baixe, presenteie e seja Feliz….

Aproveitando o ensejo, estou aqui para desejar Feliz Natal a todas as pessoas que me ajudaram no blog Rock Pará: as bandas, os artistas, os jornalistas, ou seja, a todas pessoas entrevistadas e que de certa maneira fizeram parte das matérias. Mas sobretudo agradeço a vocês, que leram, opiniram e fizeram o blog. Porque é como eu falo o blog Rock Pará não é do jornalista Sidney Filho; mas sim de todos Nós.

FELIZ NATAL PARA TODOS…..E SÓ O ROCK SALVA

Teatro Mágico: Hoje – "Diálogos" em Belém – Como construir uma cena da música livre sustentável?

Data: 21 de dezembro
Local: Ensaio Aberto Loja Ná Figueredo
Horário: 18h

A partir da afirmação, “Um mundo acabou. Viva o mundo novo!” presente no manifesto música para baixar, é que devemos refletir, aprofundar e projetar uma nova cena da música independente no Brasil, que se adapte às novas tecnologias e reúna criadores, produtores e usuários da música, com disposição e atitude para coletivamente construir novos modelos de negócios viáveis e sustentáveis para os tempos em que vivemos.

A música livre que queremos é, também, conhecimento livre. Com isso é preciso equilibrar o acesso sem fins lucrativos e a remuneração justa do autor, garantindo a ele o direito de decidir a veiculação comercial ou não de sua obra.

As ideias que apoiamos necessitam de tempo para se disseminar, e nós, que vivemos de música, não podemos esperar de braços cruzados enquanto a indústria e as leis não se adaptam à nova realidade. Baseados nos preceitos do movimento Música Para Baixar, temos que criar, hoje, uma cena independente. Como o antigo sistema ruiu e não funciona mais para ninguém, sejamos os criadores da nova realidade, os líderes da viagem ao novo mundo, a alternativa real. A tecnologia nos deu as ferramentas necessárias para essa tarefa, que, cada vez menos, necessita de intermediários entre artistas e público. Temos feito isso sozinhos. Agora, vamos fazê-lo juntos.

Vamos reunir ideias de artistas, produtores, consumidores e pensadores para formar novos públicos e oferecer outras formas de criação e consumo de música. Queremos fortalecer uma nova cena que seja economicamente sustentável para se contrapor ao modelo que recebemos.

Data: 21 de dezembro
Local: Ensaio Aberto Loja Ná Figueredo
Horário: 18:00h

Thunder e o mundo do Rock'n'Roll


Thunder por André Peniche

Luiz “Thunderbird” Fernando é um dos grandes ícones do Rock’n’Roll nacional. Ele já foi VJ da MTV e é atualmente baixista da clássica banda Devotos de Nossa Senhora de Aparecida e também faz parte da banda de outro ícone nacional, Júpiter Maçã. Além disso, ele tem bom gosto quando o assunto é rock paraense. “Nunca estive por ai, mas conheço duas bandas bacanas da cidade. Uma, com a qual tocamos juntos num programa da MTV, chama-se Norman Bates. Excelente banda, muito contemporânea, gostei muito do disco e do que vi ao vivo. A outra é Madame Saatan, um som pesado, intenso, muito interessante. Levei os rapazes no meu programa de rádio. Gostaria de coinhecer mais da cena. Isso pode acontecer quando passar por Belém pra divulgar o lançamento do disco novo dos Devotos DNSA, Bombardino, que gravamos recentemente. Saiba mais sobre o Thunder nessa entrevista exclusiva.

Você atualmente toca baixo nas bandas Devotos de Nossa Senhora de Aparecida e do Jupiter Apple, além disso você é colunista na internet. Como você se dividir em todas essas atividades, entre outras? E quais são os teus próximos projetos?

Os Devotos DNSA me ocupam boa parte do tempo. Passei o começo do ano, compondo, produzindo e gravando o disco novo. Tenho feito shows de lançamento do disco pelo Brasil. Tocar com o Jupiter é um prazer e um sonho antigo. Sou grande fã do “mestre” há décadas. Sou um cara de sorte de ainda conseguir realizar meus projetos na internet e manter minhas outras bandas, Fuck Berry e Flaming Birds. Agora surgiu a ideia de montar um projeto novo com André Abujamra e Felipe Maia. Trata-se do “All Johnsons”, que ainda está em desenvolvimento.

Como você analisa a música independente no Brasil? E o que precisa acontecer para melhorar?

A música independente brasileira salva a gente do “império do mal” que costuma dominar os cenários midiáticos. Quem quiser se esforçar um pouco, terá acesso aos indies. Hoje temos os festivais, a internet, podemos alcançar o que quisermos, sem depender da rádio, TV, e publicações facistas. O “indie” depende dele mesmo, portanto está sempre se cuidando. Vejo que o segmento cresceu em número, organização e qualidade. O Brasil é muito grande e precisa melhorar questões de logística. Só assim podemos ter uma unidade melhor entre os músicos brasileiros.

O que você conhece do rock paraense?

Nunca estive por aí, mas conheço duas bandas bacanas da cidade. Uma, com a qual tocamos juntos num programa da MTV, chama-se Norman Bates. Excelente banda, muito contemporânea, gostei muito do disco e do que vi ao vivo. A outra é Madame Saatan, um som pesado, intenso, muito interessante. Levei os rapazes no meu programa de rádio. Gostaria de coinhecer mais da cena. Isso pode acontecer quando passar por Belém pra divulgar o lançamento do disco novo dos Devotos DNSA, Bombardino, que gravamos recentemente.

O que você poderia destacar do rock nacional atualmente?

Eu ouço tanta coisa… Recebo muitos discos nos meus shows, ouço tudo e percebo que os músicos estão cuidando bem das suas artes. Entre as novidades que ouvi recentemente, estão Rafael Castro, Desengonçaves e Cara Suja. Mas tem tanta coisa legal, que certamente estarei fazendo injustiça com outros nomes bacanas que descobri recentemente.

Soatá: Conexão Belém-Brasília

Através da verdadeira Transamazônica vem uma das bandas mais interessantes da música independente nacional, Soatá. O guitarrista Jonas Santos fez parte de formações clássicas do rock paraense, como Solano Star, Norman Bates (como baixista das duas) e Epadu (guitarrista). Agora, ele aparece novamente, com a Soatá e a misturada é de primeira, com influências amazônicas, soul, funk e rock’n’roll. Entenda o que estou dizendo nessa entrevista.

Para conhecer melhor a Soatá: http://www.myspace.com/soatatambor



Quais são as perspectivas com o Soatá?

Até o final desse ano vamos lançar um CD independente com 12 músicas. Temos uma reserva de pelo menos 20 músicas para registro. A banda vem se destacando em outros estados, estamos tentando participar de festivais por todo o país. Já tocamos além de Brasília, Belo Horizonte( vencedor conexão VIVO), Uberlândia e Fortaleza(Feira de música de Fortaleza). Levando o carimbó e a poesia amazônica! Aguardamos ansiosamente um convite para tocarmos em Belém. Acho que aí seria um Show com cara de Reencontro; pois a essência vem dá ai!

Contem a experiência musical de cada integrante?

Jonas Santos (guitarra): Sou Natural de Belém. Em 1993, comecei junto com o André Nascimento a misturar carimbó com rock. Convidamos o Claudio Figueiredo que definiu a historia poética da banda, e fundamos a Banda Epadu que movimentou a cena por um tempo em Belém. Sou também baixista do Solano Star, uma banda de rock’n’roll dos anos 90 de Belém. Gravamos Um CD ano passado no Studio Orbis aqui de Brasília, e se der tudo certo lançaremos este CD ano que vem em Belém. Já toquei tambem em algumas bandas de nu metal( Federal Attack) aqui de brasília como baixista. Participo também de uma Guig universal que conta com a participação de vários músicos brasilienses( Celio Maciel, Mauricio Barbosa, Sérvulo Portugal,Adriano PB,Ogro, Lieber Rodrigues, Pato etc), essa gig provém de uma Organização Caótica chamada “BÊRÔTÊCNIA³”.

Ellen Oléria (voz, violão e percussões): Multi-instrumentista autodidata, a brasiliense Ellen Oléria esbanja na voz e em seus instrumentos um swing contagiado pelo funk e pelo samba. Com uma influência direta dos elementos da música negra brasileira desde seu tradicional regionalismo às suas dimensões modernas e contemporâneas. Compositora, recebeu diversos prêmios nos festivais de música por onde passou (como o FINCA – Festival Interno de Música Candanga – DF e o Festival de Música do SESC – DF). Com seu trabalho autoral abriu shows de grandes nomes da música Brasileira e Internacional como Geraldo Azevedo (PE), Richard Bona (CMR). Acompanhando o Raper GOG (DF) com a banda MPB Black, dividiu o palco com Lenine (PE) e Gérson King Combo (RJ).

Dido Mariano (contrabaixo): Músico profissional desde 1990, Dido (Pato) atuou principalmente na música instrumental. Influenciado por Jaco Pastorius (EUA), Victor Bailey (EUA), Arthur Maia (RJ), Nico Assumpção (SP), e forte inserção na música brasileira (samba, baião, maracatu, carimbó e xote). Sua experiência profissional também possibilitou desenvolver uma pegada rock and roll voltada para o heavy metal, tendo atuado com as bandas: The Other Side (DF), Exite Hell (DF), Armagedom (Deuses Verdes – DF). Atua também como professor de contrabaixo e violão, harmonia, improvisação, teoria musical há 15 anos no Instituto Musicart e como produtor musical.

Riti Santiago (bateria): Em atividade desde 1988, Riti Santiago desenvolve um trabalho musical que transita por vários estilos. A despeito de seu trânsito por diversas linguagens musicais, são inegáveis as suas influências no rock pesado. Junto à banda de rap Câmbio Negro (DF), Riti gravou três CDs e, em 1999, ganha o prêmio de melhor clip de rap no Video Music Brasil – VMB, da MTV BRASIL. Atua desde o final da década de 90 com produção musical, atendendo bandas e artistas do Distrito Federal e outros estados. Atualmente desenvolve um projeto de reggae e dub com 2DUB (DF).


Liéber (percussões)
: Percussionista e baterista, sua musicalidade é resultado da influência das ricas manifestações de cultura popular brasileira. Tem como fonte de inspiração o trabalho de artistas como Naná Vasconcelos, Ronaldo Farias e Simone Soul. Como co-fundador da banda Rebento da Rede (DF) investiu na fusão de diversos ritmos tais como samba, baião, afoxé e côco, explorando variados efeitos e fontes sonoras. Atualmente integra a banda Jenipapo(DF) com quem conquistou o 1º lugar no FINCA( Festival Interno de Música Candanga). Cursa Áudio na Escola de Música de Brasília(CEP-EMB).

Jonas, o que você poderia destacar do período do Epadu?

Cara, nasceu no periodo em que os artistas de todos os estados estavam voltados para esse valorização regional. Era uma parada que tava acontecendo no inconsciente coletivo. Gravei a música “Soáta” com o André Nascimento e ainda não havia escutado a galera de Recife, que já fazia essa proposta do regional com rock, funk, música eletrônica. Vi o Chico Science pela primeira vez no African Bar, show inesquecível, passei o fita demo pra ele, dizendo que o Epadu estava trabalhando nesse mesmo campo. Foi massa! Eu , o Claudio e o André produzimos alguns shows do Epadu aqui em Brasilia, foi muito bom. Parte da galera que toca no Soatá, tocou no Epadu quando o banda veio de Belém pra cá( Dido Mariano E Riti Santiago).

O que vocês poderiam destacar da cena independente de Brasília?

Aqui em Brasília tem muitas bandas( Galinha Preta, Moretools Gibertos comem bacon, Brown ha, Moveis Colonias de Acaju, Decivers, DFC, Violator; velho, são milhares!)vários studios de ensaio e gravação. Estão acontecendo muitos eventos custeados pelo Governo, iniciativa privada. Cara, se você tem um trabalho de produção e divulgação, a cena contribui para o seu trabalho!

Em relação a música independente do Pará, o que vocês conhecem e o que destacariam?

Olha só, estou esperando dar um pulo ai pra conhecer melhor. É lógico que posso fazer isso de qualquer lugar do mundo, mas o bacana é você conhecer a galera, olhar no olho. Conheci o Floresta Sonora lá em Fortaleza, a banda do do Calibre, muito bom! Gosto muito do Norman Bates, a banda do Nicolau, do Giovanni, do Carlos( ETFPA). Anubis, bande de trash metal do Mauricio Sanjad!. Massa! estou sempre ouvindo os grandes mestres de carimbó. O Epadu se apresentou com o Pinduca na Feira dos Estados aqui em Brasília foi bom demais!

Quais são os próximos passos da banda?

Como é bom começar com o pé direito, o proximo passo será o esquerdo! (rs…) a verdade é que a banda vai con
tinuar trabalhando, subindo degrau por degrau, tijolo a tijolo, lançar o CD e sair tocando em todos os lugares possíveis. Vamos tentar shows em todos os cantos do país. Esparamos um convite para um show em Belém que será muito especial!

VEJA MÚSICA COM MADAME SAATAN

http://veja.abril.com.br/musica/madame-saatan.shtml

http://www.madamesaatan.com.br
http://www.mtv.com.br/madamesaatan
http://www.twitter.com/madamesaatan

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CONTATO

Bernie Walbenny
11 8545.5847 / 91 8801.5650
email: [email protected]

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PARCEIROS

.Endorserment.
ESP/LTD | GROOVIN | HARTKE | LYON | SAMSON | STAGG
KGB Cases

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Estúdio GravaSampa | Ná Figueredo | Paulo Tattoo | Covil da Luta

Bafafá Pró Música………IMPERDÍVEL

Serviço:

Show gratuito com 20 artistas na Praça da República, a partir das 10h30.

Informações: [email protected] 9614 1005

Programação Bafafá

13 de dezembro de 2009

Praça da República

10h – abertura

01 – Núcleo Base

Palco Anfiteatro

10h10 – 10h30

02 – Dharma Burns

Palco Carreta

10h30 – 10h50

03 – DJ Morcegão e Máfia da Baixada

Palco Anfiteatro

10h50 – 11h10

04 – Rafael Lima e Juçara Abeh

Palco Carreta

11h15 – 11h45

05 – Joelma Klaudia

Palco Anfiteatro

11h45 – 12h05

Celular: 8876 8441

06 – Os Baioaras

Palco Carreta

12h05 – 12h25

07 – Vinil Laranja

Palco Anfiteatro

12h25 – 12h45

08 – Arthur Kunz trio

Palco Carreta

12h45 – 13h05

09 – Tomates Verdes

Palco Anfiteatro

13h05 – 13h25

10 – Ataque Fantasma

Palco Carreta

13h25 – 13h45

11 – Suzana Flag

Palco Anfiteatro

13h45 – 14h05

12 – Licor de Xorume

Palco carreta

14h05 – 14h25

13 – Dialetos

Palco Anfiteatro

14h25 – 14h45

14 – Pio Lobato Trio

Palco Carreta

14h45 – 15h05

15 – Xamã

Palco Anfiteatro

15h05 – 16h25

16 – Norman Bates

Palco Carreta

16h25 –16h45

17 – Miguelitos S/A

Palco Anfiteatro

16h45 – 17h05

18 – Telaviv

Palco Carreta

17h05 –17h25

19 – Stereoscope

Palco Anfiteatro

17h25 – 17h45

20 – Retaliatory

Palco Carreta

18h05 – 18h35 (dispersão)

Entrevista Especial: Adreana Oliveira (Drica) – A jornalista mais Rock'n'Roll do Brasil

Falar da história da jornalista mineira Adreana Oliveira é falar de muito Rock’n’Roll, principalmente no que diz respeito ao rock independente nacional e internacional. Conheça agora o que pensa Drica, como também sobre os trabalhos dela na coluna Novo Som (Correio de Uberlândia) e agora no programa Clip 15.

Como começou o teu interesse pela música, principalmente a música Pop e o Rock?

Eu cresci sem nenhuma referência pop ou rock em casa, então, estava entregue ao que aparecia na TV aberta, e acredite, rádio AM. Precisa ver minha felicidade quando uma vizinha descobriu o FM. O rádio fez parte da minha formação porque MTV aqui [em Uberlândia] é só via TV a cabo e este é um luxo que eu me dei há pouco tempo.
Na adolescência, nos anos 90, eu comecei a freqüentar a cena mais metal da cidade. Consegue imaginar uma pessoa que ouvia New Kids on the Block, Madonna, Sex Pistols, Bon Jovi, Sepultura e Napalm Death na mesma fita no walkman? That´s me…

Como eu não saia muito de casa à noite, por conta de um pai muito rígido, minhas tardes na “Praça da Bicota”, na “Praça da Biblioteca” ou na escola Américo Renê Giannetti, onde fiz o colegial, foram minha “salvação”. Nesta época, os punks e os headbangers freqüentavam as mesmas paradas e fiz muitos amigos. Aderir a um estilo ou outro eu nunca aderi por completo, o legal era conseguir pegar um pouco de cada.
Na falta de lugar para tocar, e na falta de um lugar para menores de idade freqüentar, tinha uma turma que costumava fazer festas na casa de alguém do grupo. Todo mundo era muito “true” e tocava som próprio [cara, muito bom lembrar disso, obrigada]. E foi nesse meio, com bandas como o Beyoud the Sanity, que tocava metal, e Sub Underground, que tocava punk, que eu ouvi Nirvana pela primeira vez [em um ensaio da Sub Underground na oficina da casa do baixista, o Diney, a música era ‘Floyd, the Barber’]. Foi com essas pessoas que compartilhei a paixão pelo Pearl Jam, que descobri o Melvins, Helmet, que cheguei ao Radiohead.

Também foi ai que montei minha primeira banda, Adrede [Eu, Dyoran, Daniel, Paulo e mais tarde o Simar]. Eu tocava guitarra, na verdade, aprendi três acordes…a gente ensaiava muito e não tocava nada. Mas os ensaios eram muito divertidos. A gente compartilhava com as partidas de basquete de rua e futebol americano nas ruas do bairro Planalto. Em toda a nossa “existência” teve um único show…e eu não fui!! Mas, o único registro em fita K7 que temos ficou comigo [olha a vingança].

Quais e como foram as tuas primeiras experiências ligadas ao jornalismo musical? E quais foram os melhores momentos?

Começou ainda no colegial. Colaborava com fanzines. Minha primeira “credencial” eu tenho até hoje. É um pedaço de papel plastificado com “Drica – fotógrafa”, impresso nele. Sempre gostei muito de escrever. Apesar de hoje estar em um cargo de editoria continuo redigindo porque serei sempre apaixonada pela reportagem. Gosto de fazer entrevistas, de entender – ou não – o processo de criação dos músicos.
Quando decidi pelo Jornalismo eu queria ser capaz de fazer algo pelo que me despertou paixão e o rock fez isso. Por mais que eu – ainda – não trabalhe só com isso, a Cultura, em geral, ainda ocupa maior parte do meu tempo e isso é muito bom. Edito o caderno Revista, do jornal Correio de Uberlândia [MG], o único diário da cidade e que já tem 72 anos de tradição.

Pra mim é uma baita responsabilidade e faço o meu melhor, contemplando todas as artes. Ter uma página semanal, a primeira entre os jornais do Brasil, que dá para as bandas independentes o mesmo espaço que tem uma boyband pop que está estourada nas paradas, me enche de orgulho. E isso em uma cidade que não tem tradição no rock e um baixo índice de leitura.

Bandas como Madame Saatan e Vanguart, por exemplo, acredito que tiveram seu primeiro espaço em mídia impressa fora de seus Estados aqui. Tenho muitos momentos marcantes na carreira, como por exemplo, a cobertura do Rock in Rio 3, no qual entrevistei Foo Fighters, Red Hot Chili Peppers, Silverchair, R.E.M., Deftones. As entrevistas com com Page Hamilton (Helmet), Sepultura, Titãs, gente que eu admiro e que antes sequer sonhava em estar perto.

Em 2001 acompanhei, em Goiânia, o primeiro show do Mudhoney no Brasil. A produção de lá me deu muita liberdade, acompanhei os caras da hora que chegaram até às cinco da manhã depois do show, perfeito. Depois, passei tudo isso para os leitores que acompanhavam o site de skate [isso mesmo] para o qual eu escrevia na época.
O engraçado disso é quando você tem que segurar o seu lado fã. Separar bem as coisas. Quando estive frente a frente com o Eddie Vedder (Pearl Jam) eu fiquei paralisada, completamente. Acho que é porque eu queria congelar o momento, mas só eu congelei. Consegui falar com os guitarristas Mike McCready e Stone Gossard, mas por que não com o Eddie???

Você é uma jornalista que conheceu diversos festivais espalhados pelo Brasil. O que você poderia destacar sobre o universo da música independente nacional?

Rico, diversificado, plural. Só tenho medo que se transforme em uma versão do mainstream, mas por hora, ainda mantém seu propósito de unir o novo à vanguarda. A união de ritmos e estilos é o que torna este cenário tão rico.

Foi maravilhoso, nesses festivais, descobrir bandas como o Violins, de Goiânia, que tem uma produção digna de primeiro mundo em seus discos. É bom ver bandas como Maldita e Ludovic, com apresentações sempre muito intensas, dividindo espaços com o Ludov, que segue uma linha mais calma. Ir pra Cuiabá e ver o Enne (BH) ou o Monno (BH) dividirem a noite com grupos como o Cabaret (RJ), Porcas Borboletas (Udia) e por ai vai.

Se hoje o rádio ou a TV que abrangem a maior parte do território nacional não descobriram esse “novo”, a culpa não é dos artistas ou dos produtores do circuito independente porque esses estão na luta. No último ano eu reduzi as viagens por estar em dois empregos. Além do jornal, trabalho também no London Pub, uma casa noturna da cidade que tem 22 anos, que eu também freqüentei na adolescência, não tanto quanto a praça [risos]. Lá, como Relações Públicas e produtora, estou aprendendo como é estar do outro lado, afinal, o foco da casa é show cover na maior parte da programação. De tempos em tempos, recebem atrações como o Terra Celta, que veio uma vez, agradou e volta em dezembro. Mas tento entrar em acordo com o chefe para não deixar de prestigiar estes festivais, porque não sei viver sem eles!

O que há de melhor na cena musical independente de Minas Gerais e, sobretudo de Uberlândia?

Em Uberlândia as coisas estão indo bem. Mas sinto falta de um pouco mais de sintonia entre as bandas. Demorou para os músicos e produtores daqui começarem a viajar e verem o que está rolando por ai. Depois disso, o festival Jambolada trouxe um novo fôlego para a cena. Sair de casa é fundamental para ter um intercâmbio e colocar o pé no chão. Quem quer se destacar tem que trabalhar duro e não é fácil. Muitas portas se fecham, mas isso não deve deter quem tem fé no seu trabalho.
A cidade tem feito uma conexão boa com Belo Horizonte, mas fora isso, desconheço uma articulação maior no estado. Além dessas cidades, Uberaba e Patos de Minas também estão articulando uma cena interessante.

Neste semestre, seis bandas de Uberlândia colocaram CDs no mercado: Mata Leão [WWW.myspace.com/bandamataleao], Krow [WWW.myspace.com/krowmetal], Dissidente! [WWW.myspace.com/bandadissidente], Cirrhosis [WWW.myspace.com/cirrhosisoldschool], Soul Stone [WWW.myspace.com/soulstonemetal] e Antena Buriti [WWW.myspace.com/antenaburiti]. Isso, só para citar algumas do segmento pop, rock, metal e alternativo, tem outras que lançaram discos recentemente também como Juanna Barbera, Antauen, Themps, e uns caras muito legais, galera nova, que deve lançar em breve o primeiro trabalho com os dois pés no hard rock old school, Killer Klowns. Também vai aparecer banda que eu esqueci de citar e vão brigar comigo; mas faz parte.

É daqui também o grande fenômeno da internet Os Seminovos [WWW.myspace.com/osseminovos], que levaram neste ano o VMB de Web Hit e venceram o “Garagem do Faustão”. Isso significa que temos um futuro mais rock and roll pela frente.

O que você admira na música independente do Pará?

Eu ainda não pude conferir os festivais daí. O que conheço ouvi por você, pela galera do Madame Saatan, do Eletrola [lembra?] e também por músicos que já se apresentaram por aí, é só elogios!

Quais foram os melhores shows que foste na tua vida?

Oh pergunta difícil essa, felizmente foram muitos! Fora Alice in Chains, Morrisey, Nirvana e Type O´Negative, eu assisti ao vivo todas as bandas que fazem parte da minha vida. E duvido que de agora em diante apareça alguma outra que balance o meu mundo. Vamos a alguns momentos inesquecíveis: o primeiro do Pearl Jam, na Pedreira, em Curitiba; o primeiro Radiohead, no Rio de Janeiro, Incubus, The Smashing Pumpkins, Motorhead, Foo Fighters, Titãs, Iggy Pop, Placebo, Kings of Leon, R.E.M., Coldplay, Nine Inch Nails, Aerosmith, Violins, Matanza, The Arcade Fire, Evanescence, Misfits, recentemente Jane´s Addiction e Faith no More, como pode ver, gosto muito de banda gringa.
Algumas são parte da trilha sonora da minha vida; aliás, esses dias criei um blog ameninaqueroubavaversos.blogspot.com. Acho que este eu vou manter. É sobre essa minha relação com música…em qualquer situação eu procuro saídas em alguma letra.

Qual o disco que te marcou?

Vou citar cinco:
Ten – Pearl Jam
Ok! Computer – Radiohead
Unplugged in New York – Nirvana
October Rust – Type O´Negative
Above – Mad Season

Fale sobre o programa Clip 15? Como podemos assisti-lo? E como está a repercussão dele?

O Clip 15 começou em 2007, se chamava Clip da Gente. A idéia era prestigiar artistas da cidade no Canal da Gente, canal 15 da TV a cabo CTBC aqui em Uberlândia [que pode ser assistido pelo WWW.canaldagente.com.br , sempre no horário de exibição do programa].
No início, tinha 10 minutos, depois passou para 15 minutos e agora estou com 26 minutos na grade. É um presente, faço porque gosto, na raça mesmo. A princípio, tinha que tocar de tudo, contanto que fosse da cidade, mas não vingaria deste jeito.
Não é preconceito, mas não é justo eu apresentar todos os estilos quando me especializo dentro do pop, rock, metal e alternativo. Os outros estilos têm seu espaço, então, esse meu tempo quero dedicar a bandas que geralmente não tem espaço em outros veículos e junto, também tocar sons mais comerciais porque, se falar que não me importo com a audiência, não estarei sendo sincera.

Gosto de misturar, então, em um programa, coloco, por exemplo, Taylos Swift e Maria Fumaça, uma banda local. É legal você mostrar ao telespectador que gosta da trilha sonora de “Crepúsculo” o que o mercado independente tem de bom. Creio que este é meu papel, trabalhar pelo rock, que faz com que eu me sinta viva, que tanto fez por mim e nunca me deixa sozinha.
Aff…falei demais hein J
Valeu pelo o espaço, grande Sidney e ao Rock Pará!