ROCK PARÁ ESPECIAL: ECOS FALSOS

CRÉDITO DA FOTO: Daniel Akashi
A banda paulistana Ecos Falsos é conhecida por não ter rótulos (que por um lado é excelente), além de ter um som pop, quase, cacofônico. Para explicar melhor sobre tudo isso, Gustavo Martins (vocalista, às vezes guitarrista e baixista) revela alguns detalhes sobre a banda nessa entrevista exclusiva para o blog Rock Pará, onde ele demonstra conhecimento sobre o rock paraense. “Eu gostei muito do CD da Stereoscope quando ouvi, e tenho ouvido falar bastante do Madame Saatan, claro. Toda hora ouvimos relatos também de como são legais os shows por aí, com um público super bem informado e animado, e queremos muitíssimo tocar quando o disco ficar pronto – aliás, é uma promessa, pode anotar! “. Além dele, a banda é formada por Daniel Akashi (guitarra e vocal), Davi Rodrigues (bateria), Rodrigo BB (guitarra e vocal) e Vini F. (baixo e vocal). No final da entrevista assista o clipe da música “Bolero Matador” (legendado).
Gustavo Martins
Como está a banda Ecos Falsos? Projetos? Shows? CDs?

Os Ecos Falsos estão muito bem, trabalhando duro no segundo disco. Tivemos um processo bastante intenso de trocas de integrantes desde o lançamento do “Descartável Longa Vida” até agora, portanto decidimos nos enfurnar em estúdio para criar algo que fosse coerente com nosso momento atual. O lançamento das músicas deve acontecer em outubro, seguido de shows nas capitais brasileiras para lançar o disco mesmo. Mas já podemos adiantar que vai ser um negócio diferente, não sei nem se poderemos chamá-lo de “CD”.
Como você poderia analisar a cena independente brasileira atual?

Bem, a cena continua crescendo em importância, já atraiu uma atenção permanente da mídia, já se estabilizou como uma base de lançamento de novos artistas mais do que as gravadoras grandes, o que é ótimo. O momento de euforia dos festivais de 2008 acho que deu uma arrefecida, natural, por conta da crise mundial e tudo mais, mas vários avanços diplomáticos e de contato com o governo têm sido feitos pelo pessoal da Abrafin também, isso é importante e deve gerar muitos frutos. Quanto às bandas, eu noto uma certa tendência de voltar a cantar em inglês, não sei se por causa do “efeito CSS” e da possibilidade mais real de fazer pequenas turnês no exterior, o que é bacana mas não me agrada muito esteticamente. Mas também temos muitas bandas boas em português surgindo ou prestes a lançar coisa nova: Zefirina Bomba, Nevilton, Rockz, Sabonetes, Zebra Zebra, Superguidis, Charme Chulo… Não há do que reclamar.
A banda é bastante conhecida no mundo independente nacional. Um dos bons motivos é modo como vocês utilizam a internet? Essa forma de comunicação é indispensável para qualquer banda atualmente?

Bem, não utilizar a internet seria um grande contra-senso atualmente. Uma banda precisa se comunicar, chegar até seus possíveis fãs, e a internet atualmente se mostra a ferramenta mais poderosa e barata para fazê-lo. Mas ela tem uma dificuldade grande que é a cacofonia, TODO MUNDO se vendendo ao mesmo tempo, tentando chamar a atenção, então para ela funcionar a favor de uma banda não basta utilizá-la muito, é preciso utilizá-la criativamente. É como o clipe de “Spam do Amor” que fizemos, que deu muito mais repercussão e views do que daria um clipe normal por ser um jogo feito com nove vídeos de YouTube. As pessoas estão famintas por novidade, e isso tem um lado bom e ruim: o bom é que não existem mais preconceitos para se ouvir algo novo, desde que bom e bem recomendado pelos amigos; o ruim é que elas esquecem tudo com muito mais rapidez. Então me parece que para uma banda independente o caminho deve ser a criatividade contínua, continuar sempre produzindo músicas e novidades que agradem as pessoas, ao invés de ficar querendo lançar um disco e descê-lo goela abaixo de todo mundo.
Ecos Falsos na internet:

clipe da música “Bolero Matador” (legendado)

ROCK PARÁ ESPECIAL: APROVEITE O GROOVE DA BANDA LA RAZA

CRÉDITO DA FOTO: ORELHA

A banda paulistana La Raza foge de todos os estereótipos do que a mídia musical atual insiste em “enfiar goela abaixo”. O som é urbano, atual, ao mesmo tempo pop (sem frescura) e pesado. Conheça mais do que estou falando, através das palavras do guitarrista Guilherme Steiner, nessa entrevista que ele concedeu ao blog Rock Pará, na qual ele conta alguns detalhes sobre e até o seu conhecimento sobre uma das bandas paraenses que está despontando no cenário nacional, Madame Saatan. “Eu particularmente sempre gostei muito da banda Madame Saatan e hoje em dia acabamos virando amigos. É mais uma banda que está chegando com essa nova proposta de som pesado e que sabe mesclar muito bem com o som regional”. Além dele, a banda La Raza ainda conta com C-Nuñez (pick-ups), Alex Panda (voz), Thiago (bateria) e RafaHell Bombeck (baixo)…. NOW, ENJOY THE GROOVE.

Guilherme Steiner em ação – CRÉDITO DA FOTO: ORELHA
A banda está se apresentando em várias cidades do País. Como tem sido a receptividade do público dos outros estados? E o que vocês têm percebido da cena independente do resto do Brasil?

A receptividade está sendo ótima. Temos um feedback positivo pelo fato do som do La Raza ser um pouco mais pesado do que as bandas da cena independente. Nos últimos tempos o som pesado está ganhando mais espaço aqui no Brasil, chegando até o Mainstream. Existem muitas bandas independentes boas, porém o público está crescendo e mudando um pouco a cabeça. Percebemos muito que está voltando a rebeldia dos anos 90. Ficamos muito felizes com isso!!!

Quais são os planos da banda para o restante desse ano?

Terminar a tour do cd “Bem Vindos a La Raza”. Já estamos compondo as músicas do próximo CD. Ainda esse ano iremos gravar uma pré e logo entrar em estúdio pra chegar em 2010 com play novo, clipe e muitas outras novidades.

O que você poderia destacar da cena independente do Pará? E também de São Paulo?

Eu particularmente sempre gostei muito da banda Madame Saatan e hoje em dia acabamos virando amigos. É mais uma banda que está chegando com essa nova proposta de som pesado e que sabe mesclar muito bem com o som regional. Aqui em São Paulo a cena independente é bem forte, mas hoje em dia está passando por uma fase de transição. A grande maioria das bandas novas que estão no Mainstream passaram muito bem pelo underground paulista e estão onde estão, que continue assim agora nessa nova fase da cena independente.

Um recado para os fãs da banda daqui de Belém?

Esperamos fazer um som e curtir o calor de Belém em breve. Enquanto não chegamos podem curtir nosso som através do nosso myspace: http://www.myspace.com/bandalaraza
Nossa agenda é atualizada semanalmente, pra acompanhar é só acessar nosso fotolog: http://www.fotolog.com.br/banda_laraza
E quem quiser trocar uma idéia com a gente, ficar por dentro das novidades nos acompanhem no Orkut e Twitter oficial do La Raza:
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=21694902
Twitter: http://twitter.com/bandalaraza

LA RAZA por ORELHA

HOJE É DIA DE AGOSTO PRO ROCK

Agenda: Dia: 28 de agosto

Hora: 22h

Local: Café com arte

Café com arte e MTV Belém

Apresentam: Barão Geraldo e Los Hermanos Cover.

Djs Roberto Figueiredo/Alex Pinheiro/Adriano Leite no set list 80s/90s/rock/hip-hop/indie/new wave/electrorock/sambarockIngressos antecipados:10 dinheiros. PROMO: 05 latas de cervejas por R$ 10,00 A noite toda

Dia: 14 de novembro

Local: Espaço cultural

Ná Figueredo Ensaio Aberto: Barão Geraldo e Paris Rock!!!

Entrada Franca.

Conheça o som de Barão Geraldo:www.myspace.com/bandabaraogeraldo

Festa 22h

ROCK PARÁ: ESPECIAL DELINQUENTES – PARTE 2 (FINAL)

Ouvindo o novo CD da clássica banda de hardcore paraense Delinquentes, várias perguntas surgem. Entre elas: “Como essa banda ainda não conseguiu destaque nacional maior?”, e “O que está faltando isso para acontecer?”

Sinceramente, nas primeiras audições do CD “Indiocídio” (Ná Music, produção de André Mattos junto com a banda) é clara a primazia na qual o disco foi composto e produzido. Porradaria com nitidez de todos os instrumentos.

Algumas músicas apresentam participações especiais, mas é o meu destaque fica para Sammliz (vocalista da banda Madame Saatan) na faixa “Ídolos Mortos”. Vocais delicados, e ao mesmo tempo rasgados, tomando de assalto e impressionando o ouvindo mais sensível. Maravilhosamente incrível.

Outra destaque do CD dos Delinquentes é que com 17 músicas, quem comprar o CD poderá fazer algo bastante interessante: Ouça no talo, porque a duração do disco é de 37 minutos e 40 segundos; então dá tempo de perturbar a vizinhança e quando a polícia chegar, o flagrante já não existe mais.

Compre-o. Roube-o. Baixe-o. Mas tenha “Indiocídio” na sua coleção de CDs. É fundamental.

CONTATOS

ORKUT: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=24526474

MYSPACE: http://myspace.com/delinquenteshc

BELROCK: http://www.belrock.com.br/delinquentes

MÚSICA PARAENSE: http://musicaparaense.blogspot.com/search/label/Delinquentes

FOTOLOG: http://www.fotolog.com/delinquentes

YOUTUBE: http://www.youtube.com/user/DelinquentesHC

EMAIL: delinquentes.hc@gmail.com

ROCK PARÁ: ESPECIAL DELINQUENTES – PARTE 1

Lançamento do CD “Indiocídio”

Uma grande celebração do Rock paraense está marcada para o dia 29 deste mês, a partir das 21h, no Caverna Club (antigo Liverpool). A clássica banda de hardcore Delinquentes lançará o segundo CD, “Indiocídio” (Ná music). Esse momento histórico ainda contará com a participação das bandas locais: Sincera, Nó Cego e Te Pego Lá Fora.

O material chega em boa hora, 9 anos depois do lançamento do seu primeiro CD (Pequenos Delitos), na época bastante elogiado na mídia especializada, chegando a ser considerado pela revista Rock Brigade (SP) como um dos melhores lançamentos do estilo do ano (2000), contendo 17 faixas do mais puro hardcore crossover (união punk / metal) acumulado ao longo desses anos.

Um detalhe bastante importante para quem for para esse lançamento: É bom preparar o pescoço, porque o CD está muito bem produzido e será reproduzido com toda a destreza dos músicos Jayme Katarro (berro), Pedrinho (guitarra), Raphael (bateria) e o mais novo integrante Pablo (baixo).

O “esquenta” do show principal mostrará o quanto o punk / hardcore paraense está muito bem representado em várias vertentes, como o “screamo” de efeitos psicodélicos e vontade estranha de se permitir e berrar do Sincera (uma das bandas que passou nas seletivas da Se Rasgum, com um dos melhores shows do evento), o punk clássico do Nó Cego (banda veterana que organiza atualmente o já famoso na cidade Madruga Fest) e a vontade de mostrar para que veio da novíssima e politizada Te Pego Lá Fora, com seu hardcore power-violence, ou como eles mesmo se auto intitulam: Capetacore….

A comemoração ainda contará com exibição de vídeos, incluindo o mais novo clipe da banda (Vagamundo), além de outros de bandas locais.
Ficou com vontade? Então, se prepare.

Serviço do Show:
Lançamento do CD “Indiocídio”, da banda Delinquentes, no dia 29 (sábado), à partir das 21:00h no Caverna Club (antigo Liverpool). Ingressos à R$ 5.

Bandas convidadas:
Sincera
Nó Cego
Te Pego Lá Fora

Ficha Técnica do CD:
Gravado no Estúdio Vértigo
Produção: André Matos e banda Delinquentes
Arte Gráfica: Fábio Garcia
Fotos: Renato Reis
Participações: Sammiliz Lage (Madame Saatan), Andrei Simões (I.O.N.), Raphael (D.H.D.), e Bruno (Telaviv).
Lançamento: Ná Music e Tacakaos Records

SÁBADO É DIA DE MUITO ROCK EM BELÉM

DJs da Festa ON THE ROCKS

3º aniversário do ON THE ROCKS

Apresenta:

REMEMBER 80s II (SAVE FERRIS!)

Para comemorar três anos do coletivo de DJs On The Rocks!, acontece o tributo ao universo musical dos filmes do diretor, produtor e roteirista norte-americano John Hughes.
Ele foi o responsável pelo sucesso de filmes memoráveis dos anos 80, como “A Garota de Rosa-Shocking”, “Clube dos 5”, “Gatinhas e Gatões”, “Antes Só do que Mal Acompanhado”, “Mulher nota 1000”, entre muitos outros.
Para fazer o público relembrar (ou conhecer) as músicas que embalaram esses filmes, em fantásticas trilhas sonoras, os DJs Ruy Oliveira, Alex Pinheiro, Dani Carvalho e Márcio Souza, junto ao convidado especial DJ Fábio Miranda, do projeto “Só 80”, vão fazer uma festa especial.
Entre as bandas homenageadas estão: Simple Minds, New Order, The Smiths. Echo and the Bunnymen, Oingo Boingo, David Bowie, INXS, entre muitas outras.
A festa Remember 80s II (Save Ferris!) será realizada no mais novo espaço da noite de Belém: Boteco da Tamandaré (Tamandaré, entre São Francisco e 16 de Novembro, próximo ao Aslan).
Haverá sorteio de brindes a noite toda!

Data: 22/08/2009 (sábado)
Ingressos: R$ 7 antes das 22h, depois R$ 10.
Mais informações: 9116-8094

CONHEÇA MAIS SOBRE HUGHES

“(…) A vida passa muito depressa. Se não paramos para curti-la, ela escapa por nossas mãos”.
“(…) Se alguém não acredita em mim, não posso acreditar nesse alguém”.
“(…) Eu prefiro estar com qualquer um pelos motivos errados do que sozinha pelos certos”.

Se, ainda hoje, os trechos destes diálogos não soam como trivialidades pueris, é provável que você tenha exercitado seu imaginário adolescente ao longo dos anos de 1980 (ou adjacências), em memoráveis Sessões da Tarde povoadas pelas narrativas de John Hughes. Evidentemente, não podemos excluir aqueles que, em sua vida mundana e recentemente adulta, puderam desfrutar de matinês domésticas, no início do século XXI.
Mas, não se trata de discutir (aqui) cronologias de gerações ou relembrar as desventuras de Ferris Bueller, Andie Walsh e Amanda Jones, nos respectivos longas: “Curtindo a Vida Adoidado” (1986), “A Garota de Rosa-Shocking” (1986) e “Alguém Muito Especial” (1987). Menos ainda, endossar o discurso que sustenta a comercialização e a banalização da nostalgia. Qualquer menção a respeito desses filmes – seja qual for – não pode ser desvinculada de seus testemunhos musicais.
A dramatização e encenação dos dilemas juvenis, sobretudo no lado ocidental do planeta, é tão universal quanto à idéia de que cada transcorrer de momentos – estilizados, idealizados ou cotidianamente vivenciados – pode ser traduzido ou imaginado através de um repertório musical. E a maestria de John Hughes está em construir fábulas juvenis, nas quais a trilha sonora constitui uma sinopse “do” e “para o filme”.
Em Alguém Muito Especial, não apenas uma das personagens principais (Amanda Jones) remete ao título de uma música dos Rolling Stones, como também os outros dois personagens centrais – Keith e Watts – são batizados com os nomes dos integrantes da banda. Entretanto, Hughes não restringe sua composição poética através desses singelos batismos e nos brinda, então, com uma trilha sonora que congrega Jesus and Mary Chain e a combativa banda alemã Propaganda, que é tocada no início do filme quando Watts está tocando bateria.
Aqueles que acompanharam as incertezas de Keith rememoraram, certamente, a história da “garota de rosa-shocking”, embalada por The Psychedelic Furs (com a música “Pretty In Pink”, relançada especialmente para o filme), Echo & the Bunnymen, New Order (que acompanha Andie enquanto ela reforma o vestido do baile), The Smiths, INXS, Suzane Vega, Orchestral Manoeuvres In the Dark (pontuando o grande final), entre outros. Engraçado notar que a trilha do filme – que prima pela diversidade – é muito mais reverenciada e presente no (in)consciente coletivo, do que propriamente os personagens Andie, Duckie e Blane. O que demonstra o valor da música como uma legenda do filme.
E alguém tem dúvida de que “Oh Yeah” (Yello) nas cenas finais de “Curtindo a Vida Adoidado” não é a melhor tradução daquele momento? O filme – que reúne nomes como (os “hippies” do) Dream Academy, Wayne Newton (“dublado” por Ferris) e Sigue Sigue Sputnik (magistralmente escolhida para caracterizar a sequência inicial do filme, quando Ferris dá aulas sobre como cabular aulas) – dispensa uma “sinopse musical” didática. Se você possui um aparelho de TV – adquirido ao longo desses últimos vinte anos – deve lembrar do discurso de apresentação que antecede a música que Ferris toca na Parada de Chicago.
E, para os colecionadores de “momentos”, não podemos esquecer as várias referências presentes no longa: as músicas de Star Wars, Jeannie (tema de “I dream of Jeannie”) e o pôster do Simple Minds – que fez parte da trilha de “Clube dos Cinco”, 1985 – no quarto de Ferris.
Não há como duvidar de que essas músicas constituem uma extensão natural das cenas e atribuem sentido à narrativa como uma totalidade – que conjuga signos, representações e imagens – dotando o filme da capacidade de despertar memórias afetivas.
Seria um ato indecoroso e de uma redundância indecente querer “provar” a perfeita sinergia entre essas músicas e os filmes. Qualquer “tentativa de artigo” nesse sentido fere um princípio da mais profunda lógica: os clássicos não precisam de mediadores.

Por Regina Ikezaki
Fonte: http://pt-br.wordpress.com/tag/trilhas-sonoras/


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